A Secretaria de Mulheres do Sisejufe manifesta seu mais veemente repúdio às gravíssimas denúncias recebidas pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça contra o desembargador federal aposentado compulsoriamente Guilherme Diefenthaeler, ex-integrante do Tribunal Regional Federal da 2ª Região.
Segundo a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal, o magistrado é acusado da prática de violência psicológica e sexual contra mulheres, assédio sexual e importunação sexual contra servidoras subordinadas em seu gabinete, utilizando-se de sua posição de superior hierárquico para constranger, intimidar e violar direitos.
Nos solidarizamos profundamente com as supostas vítimas, mulheres trabalhadoras que, além de enfrentarem as desigualdades e violências estruturais presentes na sociedade e no mundo do trabalho, ainda teriam sido submetidas a situações de abuso dentro do ambiente institucional que deveria garantir respeito, dignidade e segurança.
É fundamental destacar que a violência psicológica contra a mulher deixa marcas profundas, silenciosas e duradouras. Humilhações, intimidações, constrangimentos, manipulações e abusos praticados em relações hierárquicas adoecem emocionalmente as trabalhadoras, comprometem sua saúde mental, sua autoestima e sua permanência em ambientes de trabalho saudáveis.
Também merece destaque a condução da ministra Maria Thereza de Assis Moura, relatora da denúncia, ao adotar uma postura de respeito e acolhimento às vítimas, evitando sua revitimização. Em casos de violência de gênero, é fundamental que os relatos das mulheres sejam recebidos com seriedade e credibilidade, sem submetê-las repetidamente à revivência de episódios traumáticos. A escuta qualificada e humanizada é parte indispensável do compromisso institucional com a justiça, a proteção das vítimas e o enfrentamento à cultura de silenciamento que historicamente marca casos de assédio e violência contra as mulheres.
A naturalização dessas práticas, especialmente em estruturas marcadas por relações rígidas de poder, contribui para o silêncio das vítimas e para a perpetuação da violência institucional de gênero. Por isso, é indispensável fortalecer mecanismos de acolhimento, proteção e responsabilização, garantindo que mulheres possam denunciar sem medo de retaliações.
A Secretaria de Mulheres do Sisejufe reafirma seu compromisso com o enfrentamento a todas as formas de violência contra as mulheres no Poder Judiciário e seguirá defendendo políticas efetivas de prevenção, acolhimento e combate ao assédio moral, sexual e à violência psicológica nos locais de trabalho.
Nenhuma mulher deve sofrer violência, intimidação ou abuso em razão de sua condição de gênero ou de relações hierárquicas de poder.
*Secretaria de Mulheres do Sisejufe