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Sindicato dos Servidores das Justiças Federais no estado do Rio de Janeiro - Telefone: (21) 2215-2443

Encontro Virtual de Carreira do Sisejufe debate valorização, política remuneratória e os impactos da Justiça 4.0

Realizada pela plataforma Zoom, reunião contou com a presença de servidoras e servidores ativos e aposentados para discutir estratégias em defesa das carreiras do Poder Judiciário.

O Sisejufe promoveu, na noite desta quarta-feira (22/07), o Encontro Virtual de Carreira do sindicato. Realizada pela plataforma Zoom, a atividade reuniu servidoras e servidores ativos e aposentados em um amplo debate sobre valorização profissional, estrutura remuneratória, negociação coletiva e os impactos da modernização tecnológica no Poder Judiciário.

Organizado conjuntamente pelo Coletivo de Técnicos Judiciários e pelo Núcleo de Analistas Judiciários, o Encontro foi aberto pela diretora do sindicato e coordenadora do COTEC/RJ, Raquel Albano, que agradeceu a participação da categoria e destacou a importância da construção coletiva de propostas para o fortalecimento das carreiras. “Agradeço a presença dos colegas ativos e aposentados que aceitaram o convite para refletirem, coletivamente, sobre um tema que diz respeito ao presente e ao futuro da nossa categoria”, afirmou.

Em seguida, a diretora Laura Diógenes, coordenadora do NAJ, relembrou a realização das reuniões ocorridas recentemente com Técnicos e Analistas, “aprofundando o debate dos segmentos, mas sem perder a visão do todo. A nossa maior força é a unidade da categoria”, enfatizou.

Durante o encontro, a presidenta do Sisejufe, Lucena Pacheco, falou sobre as estratégias aprovadas na Plenária Nacional da Fenajufe, realizada neste ano em Salvador (BA). Entre os pontos abordados estiveram as estratégias para o avanço da carreira, tema aprovado na Bahia a partir da Resolução nº 2, também assinada pelo Sisejufe, que atualiza a Resolução 61 aprovada em Belém, voltada à construção de uma política remuneratória permanente, à derrubada do Veto 45 e a negociação coletiva no serviço público. Clique aqui para acessar a Resolução nº 2

“A Plenária de Belém, eu entendo que produziu uma das mais importantes sínteses políticas dos últimos anos para a gestão da carreira porque ela construiu premissas a partir do debate realizado por meio de vários encontros com os sindicatos e, depois, na Federação, onde todos puderam participar da construção das premissas onde pudéssemos nos identificar, enquanto categoria, em um texto coletivo. Por isso a ideia de trazer uma atualização formal para não se perder o que foi estabelecido”, ponderou.   

Lucena apresentou os principais temas tratados na Resolução, ressaltando também a importância da derrubada dos vetos no Congresso Nacional e da manutenção dos espaços de diálogo no Fórum Permanente de Gestão da Carreira dos Servidores do Poder Judiciário, no âmbito do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Justiça 4.0 e gestão humanizada

Outro eixo do encontro foi a modernização da gestão de pessoas no Judiciário. A assessora política Vera Miranda apresentou uma análise sobre os impactos da Justiça 4.0, da transformação digital e do avanço da Inteligência Artificial nas relações e nos processos de trabalho.

Segundo ela, a migração de um modelo burocrático para uma gestão baseada em resultados envolve mudanças como estruturas mais flexíveis, teletrabalho, gestão por competências, governança de metas e maior utilização de ferramentas tecnológicas. Vera alertou, no entanto, para os riscos da redução dos quadros e da adoção de modelos de produtividade que não considerem a realidade e a saúde das servidoras e dos servidores.

A palestrante chamou a atenção para o chamado “paradoxo da eficiência”, onde, ao mesmo tempo em que a automação e a IA aceleram procedimentos, elas também podem ampliar o volume de processos e intensificar a cobrança por produtividade, gerando sobrecarga e adoecimento.

Para Vera, a modernização do Judiciário somente será sustentável se estiver acompanhada de gestão humanizada, formação contínua, uso crítico da tecnologia e políticas efetivas de proteção à saúde mental e à qualidade de vida no trabalho. “Essa modernização só será sustentada se ela valorizar quem a está construindo”, finalizou.

Acesse aqui a apresentação exibida por Vera Miranda durante a reunião

Estrutura remuneratória e unidade da categoria

Integrante da mesa de debates, o diretor do Sisejufe, João Victor Albuquerque, apresentou uma análise histórica da estrutura remuneratória do Poder Judiciário e destacou dois desafios centrais: reduzir a disparidade salarial entre Técnicos e Analistas e estabelecer equivalência dos Analistas Judiciários com a chamada “elite do Executivo”.

“Esses dois objetivos não são contrapostos. É possível buscar uma conciliação, principalmente na discussão que tem por finalidade a reestruturação da nossa carreira”, completou.

Ao recuperar a trajetória dos Planos de Cargos e Salários desde 1996, ele ressaltou que a mobilização unificada da categoria garantiu importantes avanços remuneratórios, trazendo a valorização do PJU naquele momento. “Chegamos em 2006 e tivemos o melhor PCS com um reajuste de 56% com parcelas pagas entre 2006 e 2008, fazendo com que o Judiciário se aproximasse das melhores carreiras do Executivo Nacional”. 

Na avaliação do diretor do sindicato, a ausência de uma proposta alternativa contribuiu para um período posterior com quatro anos sem recomposição salarial, ampliando as perdas e o distanciamento em relação a outras carreiras públicas.

Para João Victor, em relação à conquista do reajuste em 2025, é fundamental a derrubada do Veto 45, para garantir as parcelas de 8% em 2027 e 2028, criando melhores condições para a reestruturação da carreira. O dirigente defendeu ainda que os futuros reajustes sejam sempre superiores à inflação, como forma de recuperar as perdas históricas acumuladas.

Negociação coletiva e Fórum de Carreira

O assessor parlamentar do Sisejufe, Alexandre Marques, foi o último expositor e apresentou um panorama histórico da negociação coletiva no Poder Judiciário, a partir da Convenção nº 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Ele também tratou do Projeto de Lei nº 1.893/2026, que busca regulamentar a negociação coletiva no serviço público e estabelecer um sistema permanente de diálogo entre servidores, entidades sindicais e Administração.

De acordo com Alexandre, o Fórum de Carreira do CNJ representa a primeira experiência estruturada de debate paritário entre representantes dos servidores e da administração do Judiciário. Embora o Colegiado ainda tenha caráter consultivo, sua existência constitui um avanço importante. Já a regulamentação da Convenção nº 151 poderá criar um marco jurídico mais efetivo e vinculante para as negociações.

“O Fórum de Carreira e o projeto de lei são iniciativas complementares que, juntos, representam um avanço para a democratização das relações de trabalho e valorização das servidoras e dos servidores do Poder Judiciário”, finalizou. 

Acesse aqui a apresentação exibida por Alexandre Marques

Ao final, foram esclarecidas dúvidas dos participantes, momento em que os debatedores reforçaram a necessidade de negociação coletiva e de uma política que assegure recomposição salarial permanente, sem aprofundar distorções ou prejudicar qualquer segmento.

O Sisejufe seguirá promovendo espaços de informação, diálogo e construção coletiva em defesa da valorização das carreiras e dos direitos de toda a categoria.

 

Por Caroline P. Colombo, a serviço do Sisejufe

 

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