Servidoras e servidores do Judiciário Federal no Rio de Janeiro elegeram, em Assembleia Geral Extraordinária virtual realizada na noite desta quarta-feira (15/04), os 12 delegados que representarão a base fluminense na XXV Plenária Nacional da Fenajufe, marcada para acontecer entre os dias 4 e 7 de junho, em Salvador (BA).
Três chapas se inscreveram para disputar as vagas: Chapa 1 – Mais Sisejufe, Chapa 2 – Visão Alternativa e Chapa 3 – Luta Sisejufe. A Chapa 1 recebeu 91% dos votos válidos e garantiu 11 delegados e seis observadores. A Chapa 3 elegeu um delegado. A Chapa 2 não alcançou o número mínimo necessário para eleger representantes. Houve ainda 1% de abstenção.
Com o objetivo de ampliar a participação da categoria, a assembleia foi realizada de forma online, por meio da plataforma Zoom.
Como foi a assembleia
Pontualmente às 19h30, a presidenta do Sisejufe, Lucena Pacheco Martins, abriu os trabalhos, deu boas-vindas aos participantes, apresentou informes iniciais, leu o edital de convocação — publicado no jornal O Dia em 31 de março — e explicou os critérios da eleição.
Lucena ressaltou o peso político da escolha da delegação que representará o Rio de Janeiro no principal espaço deliberativo da categoria em nível nacional.
“Essa assembleia não é apenas uma formalidade. É uma questão política, porque essa delegação vai levar a nossa voz, as nossas posições e as nossas estratégias para a plenária, que é um dos principais espaços deliberativos da categoria nacional.”
Ela também destacou alguns dos temas centrais que estarão em debate na plenária, como conjuntura política nacional e internacional, plano de lutas, reestruturação da carreira, organização sindical, atuação coletiva, inteligência artificial, saúde, condições de trabalho, opressões, interseccionalidades, inclusão e equidade.
Após a abertura, compuseram a mesa virtual o secretário de Administração, Gestão de Pessoas e Patrimônio do sindicato, Valter Nogueira; o vice-presidente, Ricardo Quiroga; a secretária-geral, Maria de Oliveira; os diretores do Sisejufe e coordenadores-gerais da Fenajufe, Soraia Marca e Edson Mouta; e a coordenadora da Federação e diretora do sindicato, Fernanda Lauria. Os dirigentes reforçaram a importância estratégica da plenária para os próximos passos da categoria.
A diretora Soraia Marca destacou que a Fenajufe atua atualmente em duas frentes prioritárias: a reestruturação da carreira e a derrubada do veto parcial ao reajuste aprovado para a categoria. Segundo ela, há pressão junto ao Supremo Tribunal Federal para que a proposta de reestruturação seja encaminhada ao Congresso Nacional, permitindo amplo debate com a base.
Soraia também informou que seguem as discussões no Fórum de Carreira sobre medidas sem impacto orçamentário e relatou atuação da Federação para impedir prejuízos a servidores lotados na área-fim.
Em relação ao veto parcial, explicou que o reajuste de 8% previsto para este ano está mantido, mas foram vetadas parcelas previstas para 2027 e 2028. Segundo a dirigente, a Fenajufe mantém articulação permanente no Congresso para buscar a derrubada do veto no momento político adequado.
O diretor Edson Mouta afirmou que a plenária será decisiva para definir os instrumentos de mobilização e a pauta de lutas de 2026. Ele ressaltou que a luta pela derrubada do veto também aproxima o Judiciário Federal de outros segmentos do serviço público que enfrentam situação semelhante.
Edson também destacou a conquista do Adicional de Qualificação (AQ), especialmente para servidoras e servidores interessados em cursos de mestrado e doutorado, e afirmou que o debate central do encontro nacional será o projeto de carreira.
“A carreira define não apenas o presente, mas também como vai se dar o nosso futuro.”
Atenção ao cenário político
A diretora Fernanda Lauria lembrou que 2026 é um ano eleitoral e que o cenário político exige atenção redobrada da categoria. Para ela, garantir avanços agora representa maior segurança para os próximos anos.
Lauria citou como prioridades a derrubada do veto e a reestruturação da carreira, além de pautas específicas da Justiça Eleitoral discutidas no Fórum de Carreira do CNJ, como a garantia de que a função de chefe de cartório seja ocupada exclusivamente por servidores do quadro, a realização de concurso para oficial de justiça eleitoral e a equiparação salarial de auxiliares judiciários.
Participação da base e próximos passos
O diretor Valter Nogueira avaliou que os últimos anos trouxeram avanços relevantes e a plenária surge como oportunidade de consolidar consensos em torno de pautas já apresentadas às administrações.
“Essa plenária é importante para que a gente feche com chave de ouro um consenso na nossa categoria para aquilo que a gente já sinalizou para as administrações e que está colocado na ordem do dia”, afirmou.
Valter ressaltou ainda que a XXV Plenária tende a representar um marco para os próximos passos da carreira.
O dirigente também chamou atenção para o cenário político e administrativo a partir de 2027.
“A nossa preocupação é com o que acontecerá a partir do ano que vem. Dependendo do que aconteça, a gente não precisa pensar muito, é só olhar no retrovisor”, pontuou, ao relembrar períodos recentes em que servidores enfrentaram dificuldades, com ausência de recomposição salarial e de avanços em pautas históricas.
“Tudo isso são questões que a gente vai ter que discutir”, concluiu.
Já Ricardo Quiroga e Maria de Oliveira ressaltaram a importância da presença expressiva da categoria na assembleia e da participação ativa das servidoras e servidores nos espaços democráticos de decisão.
Após as manifestações da mesa, foi aberto espaço para perguntas e esclarecimentos. Em seguida, a presidente Lucena explicou o funcionamento da votação e iniciou a inscrição das chapas.
Concluída a votação virtual, confirmou-se a eleição da Chapa 1 – Mais Sisejufe, com 11 delegados, e da Chapa 3 – Luta Sisejufe, com um delegado.
A lista completa da delegação eleita do Sisejufe para a XXV Plenária Nacional da Fenajufe será divulgada em breve.