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Sindicato dos Servidores das Justiças Federais no estado do Rio de Janeiro - Telefone: (21) 2215-2443

Contracheques de julho refletem primeira conquista da mobilização da categoria e reforçam a luta pela valorização da carreira

Pagamento da primeira parcela da recomposição salarial reafirma a força da mobilização da categoria e abre uma nova etapa da luta pela valorização das carreiras do PJU

As servidoras e os servidores do Poder Judiciário da União começam a receber, nos contracheques de julho, a primeira parcela de 8% da recomposição salarial conquistada pela mobilização nacional da categoria. Mais do que um reajuste monetário, esse percentual representa o resultado da organização coletiva, da atuação das entidades representativas e da construção de uma estratégia política que recolocou a valorização dos servidores na pauta institucional do Judiciário.

Embora importante, o reajuste está longe de representar a efetiva valorização das carreiras do PJU. A parcela implementada recompõe apenas parte das perdas acumuladas ao longo dos últimos anos e não enfrenta os desafios estruturais relacionados à evolução da carreira, à crescente complexidade das atribuições e às transformações pelas quais passa o sistema de justiça brasileiro.

Da recomposição remuneratória à reestruturação da carreira

A conquista da recomposição não surgiu de forma isolada. Ela foi construída a partir da retomada do diálogo institucional entre as entidades representativas e a administração do Supremo Tribunal Federal, especialmente por meio do Fórum Permanente de Gestão da Carreira dos Servidores do Poder Judiciário da União.

Nesse espaço, a Fenajufe e os sindicatos de base, entre eles o Sisejufe, passaram a defender que a política remuneratória não poderia ser dissociada de um debate mais amplo sobre o futuro das carreiras, a valorização dos cargos, a organização do trabalho e a qualidade da prestação jurisdicional.

Esse entendimento foi consolidado nas últimas plenárias nacionais e no 11º Congrejufe, que reafirmaram a necessidade de construir uma política permanente de valorização das carreiras, superando a lógica de negociações pontuais e estabelecendo um projeto estruturante para o desenvolvimento profissional das servidoras e dos servidores.

Derrubar o veto é prioridade

Apesar da implementação da primeira parcela, permanece uma das principais tarefas da categoria: a derrubada do veto presidencial, 45/2025, que suprimiu as parcelas previstas para os anos seguintes.

O Sisejufe reforça que a mobilização junto ao Congresso Nacional continua sendo fundamental para garantir a recomposição integral aprovada pelo Supremo Tribunal Federal e encaminhada ao Poder Legislativo. É necessário intensificar o diálogo com deputados e senadores para que o veto seja incluído na pauta do Congresso Nacional e rejeitado, assegurando o cumprimento integral da política remuneratória construída pela categoria.

A próxima etapa: valorização da carreira

Paralelamente à luta pela derrubada do veto, a categoria já iniciou uma nova etapa de organização: a construção da reestruturação da carreira. O Sisejufe vem realizando reuniões setoriais, encontros virtuais e atividades de nivelamento com técnicos, analistas, oficiais de justiça e demais segmentos da categoria, apresentando as resoluções aprovadas pela Fenajufe e debatendo propostas para a modernização das carreiras do Poder Judiciário da União.

Entre os principais objetivos defendidos estão a valorização das atribuições dos cargos; o fortalecimento das especialidades; desenvolvimento profissional permanente; revisão da estrutura remuneratória; incorporação gradual da Gratificação de Atividade Judiciária ao vencimento básico; fortalecimento da política de Adicional de Qualificação; melhoria das condições de trabalho e promoção da saúde ocupacional e a participação permanente das entidades representativas na construção das políticas de gestão de pessoas.

Como referência para esse debate, a categoria aprovou, nas instâncias da Fenajufe, a defesa do modelo remuneratório 100/85/70, buscando maior equilíbrio entre os cargos e aproximando a carreira do Judiciário de outras carreiras típicas de Estado.

Carreira é política pública para fortalecer a Justiça

Para o Sisejufe, discutir carreira não significa tratar apenas da remuneração dos servidores. A valorização das carreiras constitui uma política pública voltada ao fortalecimento do próprio sistema de justiça. Um Judiciário moderno depende de profissionais qualificados, experientes, permanentemente capacitados e reconhecidos pela relevância das funções que exercem.

As profundas transformações tecnológicas, a utilização crescente da inteligência artificial, a ampliação da litigiosidade e a complexidade das demandas sociais tornam indispensável investir nas pessoas que garantem o funcionamento cotidiano da Justiça. Por isso, o debate sobre carreira está diretamente relacionado à qualidade da prestação jurisdicional, à inovação administrativa, à eficiência institucional e ao fortalecimento do Estado Democrático de Direito.

Mobilização permanente

O reajuste que passa a constar nos contracheques de julho demonstra que a organização coletiva produz resultados. Mas também evidencia que ainda há um longo caminho até que as servidoras e os servidores do Judiciário Federal tenham uma carreira compatível com a importância das atividades que desempenham.

A mobilização continua. A prioridade imediata é conquistar a derrubada do veto no Congresso Nacional. Em seguida, será intensificado o debate sobre a reestruturação da carreira, tendo como referência as deliberações aprovadas pela categoria e o trabalho desenvolvido no Fórum Permanente de Gestão da Carreira.

O Sisejufe seguirá atuando, em conjunto com a Fenajufe e os demais sindicatos de base, para que a valorização das servidoras e dos servidores seja tratada como parte da modernização do Poder Judiciário e do fortalecimento da prestação jurisdicional oferecida à sociedade.

A luta continua: derrubar os vetos e construir uma nova carreira para o PJU

O reajuste de 8% que passa a integrar os contracheques de julho representa uma conquista importante da mobilização da categoria, mas está longe de encerrar a nossa luta. Ao contrário, ele marca o início de uma nova etapa da organização das servidoras e dos servidores do Poder Judiciário da União.

A XXV Plenária Nacional da Fenajufe, realizada em Salvador, consolidou uma estratégia nacional que articula duas frentes inseparáveis: a derrubada dos vetos presidenciais que suprimiram as parcelas da recomposição previstas para 2027 e 2028 e a construção de um projeto de reestruturação das carreiras do PJU e MPU. As resoluções aprovadas reafirmam que a recomposição das perdas inflacionárias deve caminhar ao lado de uma política permanente de valorização das carreiras, fortalecendo a atuação da categoria nos próximos anos.

Nesse contexto, a Proposta 26, aprovada pela Plenária, tornou-se uma das principais referências da estratégia nacional de carreira. Ela orienta a defesa de um modelo que reconheça a crescente complexidade das atribuições das servidoras e dos servidores, valorize as especialidades, fortaleça o desenvolvimento profissional e estabeleça uma estrutura remuneratória mais equilibrada entre os cargos. Como referência para esse processo, a categoria aprovou a defesa do modelo remuneratório 100/85/70, buscando aproximar as carreiras do Judiciário de outras carreiras estratégicas do Estado brasileiro.

O calendário nacional aprovado em Salvador também demonstra que a mobilização não termina com a implementação do reajuste. A categoria deliberou pela continuidade das atividades de organização nos estados, realização de debates sobre carreira, mobilizações nacionais, paralisações e articulações junto ao Congresso Nacional para garantir a derrubada dos vetos e criar as condições políticas para o encaminhamento de um projeto de reestruturação das carreiras.

No Rio de Janeiro, o Sisejufe já colocou essa estratégia em prática. O sindicato vem promovendo reuniões de nivelamento, encontros com os diversos segmentos da categoria e debates sobre a proposta de reestruturação, contribuindo para que técnicos, analistas, auxiliares e demais servidoras e servidores conheçam as resoluções aprovadas e participem ativamente da construção dos próximos passos da mobilização.

Para o Sisejufe, a valorização das carreiras vai além da discussão remuneratória. Trata-se de uma política pública voltada ao fortalecimento do próprio sistema de justiça. Um Judiciário que enfrenta os desafios da transformação digital, da inteligência artificial, do aumento da litigiosidade e da crescente complexidade das demandas sociais precisa investir nas pessoas que garantem, diariamente, a prestação jurisdicional.

Por isso, os contracheques de julho carregam, mais do que um reajuste, a marca da luta coletiva. Eles simbolizam uma conquista construída pela mobilização da categoria, mas também lembram que ainda há um longo caminho a percorrer. A próxima etapa exige unidade, participação e mobilização permanente para assegurar a derrubada dos vetos, avançar na reestruturação das carreiras e conquistar um projeto de valorização compatível com a importância das servidoras e dos servidores para o funcionamento do Poder Judiciário e para a efetivação dos direitos da sociedade brasileira.

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