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DEU NA IMPRENSA – Movimento Down protesta no TJ contra desembargadora que acusou Marielle

RIO — Mães de crianças com síndrome de Down realizaram um protesto, na manhã desta quarta-feira (21/03), contra a desembargadora Marilia Castro Neves, durante um julgamento do qual ela participava no Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), no Centro. A magistrada gerou controvérsia ao afirmar no Facebook que a vereadora Marielle Franco (Psol), executada na semana passada, tinha ligação com bandidos. Mas a desembargadora também virou alvo de críticas de famílias de pessoas com Down depois que veio à tona um outro comentário, em que ela questiona a capacidade de uma professora portadora da síndrome.

O grupo de mães entrou na sala do julgamento vestindo camisetas e com cartazes dentro de bolsas. Quando Marilia começou a falar, elas levantaram um grande cartaz com os dizeres “quem julga com preconceito não sabe fazer direito”. A sessão foi interrompida e, segundo a manifestante Gabriela Laborda, uma magistrada pediu que elas abaixassem o cartaz. O material foi retirado por seguranças, mas as manifestantes permaneceram na sala.

— Foi um protesto pacífico, eles deixaram a gente se manifestar. Ficamos muito indignados e tristes com a declaração dela. A gente luta muito para que esses pais acreditem nos filhos e busquem direitos para eles e uma declaração dessas revolta muito as associações. É um absurdo a desembargadora falar o que falou de uma pessoa que se dedicou tanto, é destruir as esperança de pais de crianças com Down. Viemos aqui pela professora, pelas nossas filhas e por um Brasil mais inclusivo — disse Gabriela, que é idealizadora do Chat 21, ferramenta de acolhimento para pais de crianças com Down.

No texto que a desembargadora publicou em um grupo fechado do Facebook, ela diz que ouviu no rádio que “o Brasil é o primeiro país a ter uma professora portadora de síndrome de down!!!. Poxa, pensei, legal, são os programas de inclusão social…Aí me perguntei: o que será que essa professora ensina a quem??? Esperem um momento que eu fui ali me matar e já volto, tá?”. A divulgação da declaração de Marília Castro Neves motivou uma nota de repúdio da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down.

Além de criticar uma professora com síndrome de Down, a magistrada também fez uma publicação, em 2015, na qual criticou mobilizações contra o assédio sexual e em favor dos direitos das minorias.

Em nota, o TJ-RJ esclareceu que os manifestantes tiveram pleno acesso à sala de sessões da 20ª Câmara Cível, onde ocorreu o julgamento. Ainda de acordo com a nota, a assessoria de imprensa do TJ-RJ entrou em contato com uma das participantes da manifestação, a advogada e mãe de uma criança com Down, Sandra Kiefer, que disse ter ficado satisfeita com o ato e que foi permitida a manifestação. O TJ-RJ informou ainda que por uma questão de segurança dos magistrados, o grupo foi orientado a não fazer imagens da sessão e compreendeu o pedido.

 

Fonte: O Globo

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