O enfrentamento à violência contra as mulheres exige mobilização permanente, políticas públicas efetivas e compromisso com a igualdade de gênero. Neste 10 de outubro, Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher, o Sisejufe reafirma seu compromisso com o combate a todas as formas de opressão, discriminação e violência contra as mulheres, dentro e fora do serviço público.
Os números mostram a dimensão do problema. Em 2025, o Brasil registrou 1.568 vítimas de feminicídio, o que representa um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior, de acordo com dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública via Portal Institucional do Senado Federal. Isso representa mais de quatro mulheres assassinadas por dia no país.
O cenário evidencia que a violência de gênero não pode ser tratada como uma questão privada ou restrita às relações individuais. Além das agressões físicas e dos assassinatos, ela se manifesta por meio de ameaças, assédio, violência psicológica, discriminação, intimidação e práticas que reproduzem a desigualdade entre homens e mulheres.
Enfrentamento nos espaços de poder
O combate à violência exige atenção também aos discursos que reforçam estereótipos machistas e contribuem para naturalizar comportamentos agressivos contra as mulheres. A misoginia não pode ser minimizada como simples divergência de opinião, sobretudo quando manifestações públicas ajudam a legitimar relações desiguais de poder.
O debate ganha relevância diante da presença de representantes eleitos que reproduzem discursos associados à desvalorização das mulheres. Em outubro de 2026, declarações atribuídas à deputada estadual recém-eleita Eduarda Campopiano (PL-SP), sobre a agressividade masculina, provocaram críticas e reacenderam a discussão sobre os efeitos de discursos machistas na sociedade.
Para Anny, secretária de Mulheres do Sisejufe, não se pode normalizar discursos e atitudes que reforçam a misoginia e desqualificam a luta das mulheres. “Tão preocupante quanto o discurso dessa jovem eleita é perceber que ele encontra eco na sociedade. Ela recebeu quase dois milhões de votos, e isso precisa nos fazer refletir. Não podemos tratar como aceitáveis falas e atitudes que minimizam a violência contra as mulheres e contribuem para perpetuar a desigualdade. Combater a violência também significa não permitir que a misoginia seja tratada como algo normal”, afirma.
A eleição de mulheres para cargos públicos é fundamental para ampliar a representatividade, mas a ocupação desses espaços não elimina a necessidade de compromisso efetivo com a igualdade de gênero. É preciso defender a participação política das mulheres e combater a violência política de gênero, independentemente de quem as reproduza.
O enfrentamento à violência contra as mulheres requer ações articuladas, educação para a igualdade, redes de proteção, acesso à Justiça e responsabilização dos agressores. O Sisejufe continuará atuante nesta luta.