A Rua Uranos, em Olaria, abriga um lugar que é muito mais do que um simples endereço. No Cacique de Ramos, a memória, a convivência e a criação se encontram sob a tradicional tamarineira da quadra, onde, há décadas, sambistas se reúnem e mantêm viva uma tradição que atravessa gerações.

A força dessa trajetória ajudou a garantir o reconhecimento do espaço como patrimônio cultural do Rio de Janeiro. Como resume Marcio Nascimento, vice-presidente do Cacique, “a gente não é uma casa de show. A gente é uma casa de cultura”.

Foi nesse cenário que o Sisejufe esteve presente no domingo passado (20/9), durante a 154ª edição da tradicional feijoada do Cacique de Ramos. A iniciativa fez parte das ações do sindicato voltadas a proporcionar às sindicalizadas e aos sindicalizados momentos de lazer e convivência para além do ambiente de trabalho.
O sindicato sorteou um par de pulseiras para o camarote Super VIP. A contemplada foi a servidora sindicalizada Gabriela Pessoa e Pires, que levou como acompanhante a também servidora Emília Schultz de Souza, do TRT1. Para Gabriela, o sorteio representou uma oportunidade especial: “Eu adoro samba, mas nunca tinha vindo ao Cacique. Quando descobri que fui sorteada, fiquei superfeliz. Adorei, adorei”.
A experiência também era inédita para Emília, que participou do evento como convidada de Gabriela. Ela destacou a importância de iniciativas que aproximem servidoras e servidores da cultura e da própria cidade.
“É muito importante conhecer também o lugar onde a gente vive, sair um pouco só da parte do trabalho. Foi muito bom”, disse.
As pulseiras foram cedidas pelo servidor Daniel Faria de Souza, integrante da diretoria do Cacique de Ramos e também do Coletivo Negro da Justiça, parceiro do Departamento de Combate ao Racismo do Sisejufe. Para ele, unir essas duas experiências tem um significado especial.
“Minhas maiores felicidades profissionais são ser servidor da Justiça Federal e membro do Cacique de Ramos. Poder juntar esses dois mundos está sendo perfeito”, enfatizou.
A coordenadora do Departamento de Combate ao Racismo, Patricia Fernanda, participou da feijoada ao lado da presidente do Sisejufe, Lucena Pacheco Martins, e da diretora Renata Oliveira. Pelo Coletivo Negro da Justiça, estavam ainda presentes Thamyris Macedo e Aurea Dias.
Outros servidores do Judiciário Federal e o juiz federal Adriano Saldanha, convidados por Daniel, também participaram da tarde. O encontro proporcionou momentos de conversa, samba e confraternização, em um ambiente que tem a cultura como parte central de sua identidade.

Para Marcio Nascimento, aproximar novos públicos do Cacique faz parte da própria missão do espaço: “A gente quer estar perto e quer que os servidores estejam próximos de nós, conhecendo o nosso projeto.”
Além do vice-presidente, o Sisejufe teve como anfitriã a diretora-geral do Cacique, Kelly Nascimento, que é filha de Bira Presidente, um dos fundadores do templo sagrado do samba. Ela garante que mesmo quem conhece a história do Cacique se surpreende quando visita o local: “Estar aqui e viver tudo isso é diferente. A tamarineira, por exemplo, desperta uma emoção muito forte. Acho que é preciso vir para sentir”.
Naquela tarde de domingo, Gabriela, Emília, Daniel e os demais servidores presentes foram mais do que espectadores. Foram parte de um encontro entre pessoas, cultura e memória com muito samba e alegria.