O Sisejufe realizou, durante o último fim de semana, nos dias 16 e 17, uma nova edição do Curso de Formação Sindical, norteado pelo tema “Desvendando as desigualdades e construindo alternativas”. A atividade, dividida em dois módulos, foi ministrada por Janaína Meazza, especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo; Edson Luiz da Cruz, formador político e sindical; e Taís Adams, também especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo.
Na manhã de sábado, após o coffee break, Janaína, Taís e Edson fizeram uma breve apresentação do programa que seria desenvolvido nos módulos, adaptados para um curso com duração de um dia e meio, prezando pela objetividade do aprendizado sem abrir mão da profundidade das informações.
Módulo I: aparência x essência
O formador Edson Cruz iniciou o módulo com duas dinâmicas em sequência. Na primeira, propôs que os participantes imaginassem ser médicos e que o Brasil fosse o paciente. “O Brasil tem salvação?”, questionou. A partir da provocação, os presentes debateram quais seriam, na visão de cada um, os principais problemas do país e os caminhos possíveis para a “cura”. Em seguida, uma nova atividade lúdica, que à primeira vista parecia simples, movimentou o curso com respostas diversas: contar quantos triângulos existiam em uma imagem disponibilizada aos participantes.
As atividades de análise, que geraram debates e diferentes pontos de vista, abordaram a relação entre aparência e essência e como a confusão entre esses conceitos impacta a sociedade e as relações de trabalho ao longo da história.
Após uma manhã de muito aprendizado e troca, o curso de formação sindical continuou durante a tarde com importantes reflexões sobre capitalismo, mundo do trabalho, desigualdade salarial de gênero e raça, o papel do Estado e como essas dinâmicas também afetam servidores e servidoras públicas.
De maneira lúdica, em uma atividade que colocou os participantes como funcionários de uma fábrica fictícia de sapatos, os professores Edson Luiz da Cruz, Janaína Meazza e Taís Adams discutiram conceitos relacionados ao mundo do capital e suas contradições. Uma música e poemas conectados ao tema também foram apresentados durante a dinâmica, tornando o debate ainda mais envolvente.
Módulo II: A trajetória do sindicalismo no Brasil
Já na manhã de domingo, etapa final da formação, os ministrantes abordaram a trajetória histórica do sindicalismo no Brasil, dividindo o percurso em diferentes fases. Durante o módulo, os participantes também contribuíram ativamente com reflexões baseadas em suas experiências pessoais e profissionais no campo sindical. A aula se propôs a abordar o que é o sindicato e pra que serve; estrutura e organização do sindicalismo no Brasil; concepções e práticas sindicais no Brasil; e os desafios do sindicalismo nos tempos atuais.
No módulo, Edson Cruz e Janaína Meazza abordaram desde o surgimento do movimento sindical no país até o período da Ditadura Militar, marcado pela forte repressão às entidades sindicais, com intervenções, perseguições e restrições às negociações coletivas. A aula foi encerrada com um panorama sobre o cenário atual do sindicalismo, que, embora enfrente uma crise, não apresenta, segundo os especialistas, um quadro de declínio.
Meazza também trouxe reflexões voltadas ao fortalecimento da agregação sindical e da unidade da base, defendendo medidas para humanizar a estrutura sindical, como a realização de trabalhos de formação, a ascensão de novas lideranças, especialmente mulheres, a criação de espaços coletivos de produção material e oferta de serviços, além do avanço em direção a um “sindicalismo associativo”, com atuação cada vez mais próxima das bases.
O Sisejufe celebra a oportunidade de, por mais um ano, contar com especialistas qualificados como Edson Luiz da Cruz, Janaína Meazza e Taís Adams na construção e no aprimoramento de um sindicato cada vez mais cidadão, fortalecido na luta pela categoria e por condições dignas de trabalho e vida.