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“Afinal, por que estamos aqui?”: Grupo de teatro do Sisejufe realiza primeira apresentação presencial

Girassóis Valentes, com direção e texto de André Arteche, apresentaram a peça com casa cheia no teatro do CCJF em noite especial

O grupo de teatro do Sisejufe, Girassóis Valentes, teve uma noite mais que especial nesta segunda-feira (4/5). Pela primeira vez, apresentaram uma peça de forma presencial, no teatro do Centro Cultural Justiça Federal, com a plateia cheia de familiares, amigos e colegas de profissão. O espetáculo “Afinal, por que estamos aqui?”, intercalou momentos da vida de cada ator com situações do cotidiano de um servidor público, como uma homenagem ao teatro e o surgimento do grupo, que teve início durante a pandemia.

O espetáculo foi introduzido pela coordenadora do departamento de cultura do Sisejufe, Helena Cruz, que comemorou: “Estamos em festa, porque nós conseguimos realizar um sonho”. O espetáculo se desdobrou em comédia com momentos de reflexão sobre temas importantes da atualidade como assédio, burnout e relações familiares, e gerou comoção ao retratar a realidade de muitos dos profissionais que prestigiavam da plateia. Com pouco mais de 30 minutos de duração, a peça divertiu e conscientizou na mesma medida.

O elenco foi composto por Ana Paula Porciuncula, Carla Nascimento, Carolina Lopes, Jorge Senna, Jucelio Mesquita, Marta Romeiro, Natanael Rodriguez, Nina Fonte e (Paulo) Lóri, que encenaram o texto sob direção de André Arteche.


 

Assista à peça na íntegra (Reprodução/YouTube/Sisejufe)

No fim do espetáculo, Helena, em nome do Departamento de Cultura, entregou flores ao dramaturgo e parabenizou a todos peça atuação emocionante. A presidente do Sisejufe, Lucena Pacheco Martins, emocionada, celebrou a apresentação e o simbolismo de tal tema ser abordado no mês dos trabalhadores:  Estou muito feliz, pessoal, porque a gente viu aqui grandes talentos. Muito obrigada a vocês. E tratar de uma realidade nossa, conseguir conversar, dialogar com o que é o servidor público, com o que a gente vivencia todos os dias, me emocionou muito a questão da mulher, porque enquanto mulher a gente passa por essas coisas todas. E aí, eu só desejar para vocês sucesso sempre. Que esse projeto continue.

A questão da arte com a luta da classe trabalhadora é importante. É simbólico, tinham várias datas, acabou sendo em maio o mês dos trabalhadores. Então que fique essa relação e que a gente consiga reverberar tudo isso para toda a nossa categoria, para os nossos colegas. Que a gente leve essa expressão que cada um trouxe aqui para a gente, para os demais colegas. Porque foi muito importante o texto e o trabalho de cada um de vocês”.

Após a apresentação, aconteceu um coquetel de comemoração no hall do CCJF, onde o elenco se reuniu em confraternização com os presentes.

Momento marcante: realizações, estreias e retorno aos palcos

O ator, diretor e dramaturgo André Arteche conta sobre o processo de construção da peça, além da trajetória de quase 5 anos do grupo Girassóis Valentes: Foi um processo, foi um desenvolvimento, nós começamos há muito tempo atrás e o que propiciou a gente estar aqui foi justamente a necessidade de estarmos em contato a partir da pandemia”, começou.

“E o grupo que começou online, ficou quase quatro anos online, deu espaço graças ao Sisejufe, ao Departamento de Cultura e ao CCJF, né. O nosso espetáculo foi nascendo a partir do meu entendimento sobre a vida do servidor. Então, os atores e atrizes foram contando para mim o dia-a-dia deles, as coisas boas, as nem tão boas, assim, que acabam acontecendo e nós procuramos botar isso no palco e contar um pouquinho da história dos Girassóis Valentes. Já estamos cheios de ideias aí para os próximos, estamos muito felizes. É um espetáculo dinâmico, leve, mas ao mesmo tempo de reflexão.”

Sobre os próximos projetos, Arteche cita que a ideia é manter uma linha importante para o sindicato, a de gerar reflexão e impacto social: O Sisejufe tem uma característica, que é trabalhar textos que façam a gente refletir sobre a realidade social, sobre o ponto de vista político e o ponto de vista social também. Trabalhando em questões como igualdade, etarismo, combate ao machismo e temas como esse. Então, nós já trabalhamos autores como o Bertoldo Brest, do Teatro Online, como o Chico Buarque e Paulo Pontes e outros autores que têm essa característica. Então, eu acho que se a gente for fazer agora, tem que manter essa linha de trabalho, buscando a reflexão, e tem muitos autores que propiciam isso, autores brasileiros, por exemplo, Nelson Rodrigues.”

A diretora do Sisejufe e membro do Girassóis Valentes, Carla Nascimento, reforçou a importância de abordar tais temáticas e a sensação de se apresentar para o público pela primeira vez:  “A peça foi uma ótima experiência. Para uma estreia, acho que a gente foi super bem, todo mundo foi super bem. E a gente estava um pouco nervoso, mas na hora baixou uma calma. Eu acho que é um espetáculo muito importante, porque fala do dia-a-dia do servidor, aquilo que principalmente as mulheres sofrem no dia-a-dia, no judiciário. Acho que a gente conseguiu mostrar isso muito bem”.


 

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Momentos da peça “Afinal, por que estamos aqui?” (Reprodução/Instagram/@sisejufe)

Já para o servidor Jucelio Mesquita, a peça “Afinal, por que estamos aqui?” não significou sua estreia, mas sim, seu retorno aos palcos após 40 anos: “Fazer isso conectado a minha função de servidor da Justiça onde estou há 29 anos é uma grande realização. E realizar isso como uma iniciativa do sindicato nos deu uma grande liberdade de falar da dor da pandemia, prestar nossa solidariedade às mulheres vítimas de assédio no trabalho, em casa e no transporte público; e celebrar nossa solidariedade nessa noite inesquecível com a presença dos colegas dos diversos Tribunais Federais, foi uma realização que eu não esperava ter”.

Apesar do grupo originalmente ser composto apenas por servidores, a atriz Carolina Lopes foi convidada para participar, substituindo a diretora do sindicato, Vera Lúcia Pinheiro, que não pôde seguir no elenco. A personagem de Vera foi mantida, e como uma homenagem, Lopes a interpretou: Foi muito interessante participar da peça. Quando eu entrei o grupo já estava formado, a história já estava sendo contada. Eu tive que entrar depois, tive que acompanhar o grupo, me adaptar ao personagem, que usava bengala. Então eu tive que me adaptar, começar a andar com a bengala, sem parecer aquela coisa fake. Um trabalho de corpo. Enfim, me entrosar com o grupo. Foi todo um processo bem interessante.

Só que o André Arteche é uma pessoa que agrega muito, acolhe muito os atores. Isso facilitou bastante. E o grupo também é maravilhoso, eu amei participar desse grupo!” 

Para a dirigente Helena Cruz, a apresentação é uma conquista que parecia algo muito distante: “Era um sonho que, para mim, era muito distante. Não tem muito tempo que começaram a ensaiar presencialmente. Então é extremamente reconfortante ver essa relação emocionante. É um sonho, né, que você imagina que um dia, muito longe, vai ser realizado.

O departamento de cultura começou pequeno, mas se vai vendo, né, começa rápido. Daí a realidade. O nosso movimento cultural começou batendo lata, dia 8 de março. E a coisa vem crescendo, hoje tem percussão, tem coral e o teatro, assim, o nível profissional. Então é você ver o nosso sindicato crescer e oferecer as colegas coisas de qualidade, pra cultura, pro seu conhecimento pessoal. Você descobrir que era capaz de fazer aquilo, então você se realizou fazendo. É muito gratificante”. 

 

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