A última quarta-feira, 19 de agosto, foi marcada pelo Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua, e o Sisejufe se uniu a outras entidades em um ato pacífico realizado na Cinelândia, no coração do Centro do Rio de Janeiro, em defesa da dignidade, da cidadania e da garantia de direitos para quem vive em situação de vulnerabilidade social. A mobilização levou às ruas reivindicações por uma vida digna e reafirmou que todas as pessoas têm direito a ter direitos.
A data também carrega a memória de um dos episódios mais violentos contra a população em situação de rua no país. Em 19 de agosto de 2004, pessoas em situação de rua foram brutalmente atacadas enquanto dormiam na região da Praça da Sé, em São Paulo. Conhecido como Massacre da Sé, o episódio deixou sete pessoas mortas e outras oito feridas e se tornou um marco da luta contra a violência e pela garantia de direitos dessa população. Desde então, o 19 de agosto é marcado por atos e mobilizações em todo o país.
No Rio de Janeiro, o Sisejufe esteve presente na manifestação reafirmando seu compromisso histórico com a causa e com a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva, em sua atuação como sindicato cidadão. O Sisejufe foi representado pelo diretor e coordenador-geral da Fenajufe, Edson Mouta, que destacou a importância de manter a mobilização permanente em defesa da população em situação de rua.
“O Sisejufe é o primeiro sindicato a ter um olhar no sentido de reconhecer que todos têm direito a ter direitos. Hoje a gente tem o Pop Rua-Jud, que foi um movimento que começa com o Sisejufe, que é o nosso sindicato, e que agora anualmente tem um ato que é realizado na Catedral do Rio de Janeiro toda semana. Embora hoje seja um dia muito importante, por ser um dia internacional de luta, mas como diz o bordão: por direitos e cidadania, nossa luta é todo dia.
Todos têm o direito à cidade. Todos têm o direito de se sentar num banco público. Todos, na Constituição, têm uma série de direitos básicos. Um deles é a moradia. Outro é alimentação. Um terceiro direito é o trabalho. E tem outros. Existem pessoas com direitos, é porque existem outros com obrigações”, começa o dirigente.
Para Edson, falar em garantia de direitos também significa reconhecer a responsabilidade do Estado na construção de políticas públicas capazes de assegurar condições mínimas de dignidade: “Não existe a possibilidade de falar dos direitos sem, do outro lado, afirmar que existem obrigações. E quem tem obrigação? O Estado brasileiro. Esse Estado que acaba protegendo um grupo social, a gente sabe da quantidade de escândalos que tem aí, de empresas muito grandes que veem isso ocorrer no Estado.
E para a população em situação de rua, embora exista a lei, a gente sabe que a lei não é suficiente para garantir os direitos. Então é importante estar todo dia na luta, todo dia aqui para denunciar exatamente a política que invisibiliza a população em situação de rua.”
O ato também foi marcado por momentos de arte e expressão, dando espaço para que pessoas em situação de rua pudessem contar suas próprias histórias. Uma das participantes, que também vive em situação de rua, leu um poema de sua autoria sobre a invisibilidade enfrentada diariamente por pessoas como ela. Em seguida, uma das presentes levantou todos ao cantar “Brasil”, de Cazuza. A mobilização foi encerrada com a apresentação de um coral formado por pessoas em situação de vulnerabilidade social, reforçando, por meio da arte, a mensagem de resistência e cidadania que marcou o encontro.