O Centro de Inclusação Social de Deficientes Visuais da Região dos Lagos (CISDV-Lagos) celebrou seu aniversário na última sexta-feira (3/7), na subseção da OAB em Cabo Frio, com um encontro voltado ao debate sobre os direitos das pessoas com deficiência, os desafios para a efetivação da inclusão, a conscientização sobre a causa e a saúde ocular.
A programação foi aberta por uma mesa composta por autoridades locais e pela superintendente estadual da Pessoa com Deficiência, Neide Aparecida. Em seguida, aconteceu um debate com a participação do coordenador do Departamento de Acessibilidade e Inclusão (DAI) do Sisejufe, Ricardo Soares, ao lado da pesquisadora da Fiocruz Maria Aparecida. O evento contou, ainda, com uma terceira mesa, formada por uma professora e por um oftalmologista de Cabo Frio. Também participou da atividade a ex-diretora do sindicato e integrante do DAI, Maria Cristina Mendes.
Representando também a Associação dos Deficientes Visuais do Estado do Rio de Janeiro (Adverj), da qual é primeiro vice-presidente, Ricardo parabenizou o CISDV-Lagos pelo trabalho desenvolvido. “Eventos como este são de extrema relevância. O Sisejufe estará sempre nas lutas que dizem respeito ao segmento das pessoas com deficiência. Nosso sindicato atua não apenas em defesa dos servidores e servidoras do Judiciário Federal, mas também na defesa dos direitos das pessoas com deficiência de forma mais ampla.”
Durante sua participação, o dirigente ressaltou que a data mais emblemática para o movimento é o Dia Nacional de Lutas das Pessoas com Deficiência. Segundo ele, a palavra “lutas” precisa ser sempre enfatizada, por traduzir a mobilização permanente em defesa da inclusão e da garantia de direitos.
Ao comentar uma reflexão apresentada na mesa anterior, Ricardo reforçou que a perseverança é indispensável para quem atua na defesa da causa. “Não nos é dado o direito de desistir”, disse.
Na sequência, destacou que a construção de uma sociedade mais inclusiva depende do engajamento de toda a sociedade e comparou essa mobilização à luta das mulheres por igualdade. “Quando eu via a luta das mulheres, sempre dizia que não podia ser uma luta apenas delas. Os homens precisam estar lado a lado nesse enfrentamento. Da mesma forma, a luta das pessoas com deficiência precisa contar com quem não tem deficiência. É preciso conhecer os temas que nos afetam e caminhar conosco”, comentou.
Ricardo também citou exemplos da atuação conjunta do Sisejufe e da Adverj em defesa da inclusão, como a mobilização pela unificação dos passes gratuitos no estado do Rio de Janeiro, e reforçou que o enfrentamento ao capacitismo exige vigilância permanente. “Nossa luta contra o capacitismo é diária; é minuto a minuto. Nós, pessoas com deficiência, muitas vezes nem precisamos colocar o pé para fora de casa para sofrermos capacitismo. Ele começa dentro da própria família”, observou.
O coordenador do DAI fez uma defesa do uso da expressão “pessoa com deficiência”, prevista na Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, e criticou a utilização do termo “atípico” como forma de se referir a esse público. “Não somos atípicos porque não somos anormais; somos simplesmente pessoas com deficiência. Somos, antes de tudo, pessoas. Onde quer que eu esteja, farei a defesa intransigente do termo correto, construído após anos de debate internacional e consagrado pela Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência”, acrescentou.
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Descrição da imagem em destaque: card com fundo cinza com ondas brancas; no topo está escrito: DAI PARTICIPA; logo abaixo, em uma tarja verde, está o texto: debate sobre inclusão de pessoas com deficiência
Na sequência, vem a foto da presidente da CISDV-Lagos, Gisele Sousa, com o coordenador do DAI, Ricardo Soares e a servidora Maria Cristina Mendes, tendo ao fundo mesa onde ocorreu o debate na OAB/Cabo Frio. Abaixo, uma foto menor do diretor Ricardo Soares na mesa de debate. Do lado direito, no rodapé, está a logo do DAI.