O terceiro dia da XXV Plenária Nacional da Fenajufe foi marcado por mesas de debate que articularam reflexões sobre o futuro das carreiras do PJU e MPU e os desafios da organização sindical no cenário atual. Ao longo das exposições, diferentes abordagens convergiram para uma mesma direção: a necessidade de fortalecer a mobilização, construir estratégias coletivas e preservar a unidade da categoria diante dos desafios colocados para o próximo período.
A primeira mesa, “Estratégias de Atuação para a Reestruturação das Carreiras do PJU e MPU”, reuniu intervenções sobre carreira, orçamento e projeto de serviço público.
Resistência e estratégias de luta

A presidenta do Sisejufe, Lucena Pacheco Martins, abriu sua participação com uma referência à escritora Conceição Evaristo: “Eles combinaram de nos matar, mas nós combinamos de não morrer”. Para a dirigente, a frase dialoga com a trajetória de resistência da categoria e com a necessidade de formular estratégias para avançar na pauta da carreira.
Lucena defendeu que o debate sobre reestruturação não pode estar restrito à dimensão econômica. Segundo ela, pensar carreira exige considerar o contexto político, as mudanças no mundo do trabalho, as desigualdades que atravessam a categoria e os impactos das novas tecnologias, incluindo a inteligência artificial.
Também chamou atenção para a necessidade de observar criticamente os modelos de gestão que vêm ganhando espaço no serviço público. Ao abordar a relação entre aparência e essência, argumentou que discursos de modernização e eficiência nem sempre produzem melhores condições de trabalho ou melhores resultados para a sociedade.
Para a dirigente, indicadores e produtividade não podem ser tratados como fins em si mesmos. O foco, afirmou, deve permanecer na qualidade do serviço público entregue à população e na garantia de direitos.
Busca de espaço no orçamento

Jean Peres, doutor em Teoria Econômica pela Unicamp, apresentou uma análise sobre os limites fiscais e as perspectivas orçamentárias para os próximos anos. Segundo ele, o alcance das mudanças reivindicadas pela categoria exige planejamento de médio prazo, já que uma reestruturação ampla dificilmente se concretiza em apenas um exercício orçamentário.
Jean defendeu aprofundar o debate sobre composição e execução do orçamento do Judiciário Federal, avaliando não apenas a ampliação de recursos, mas também a forma como o orçamento vem sendo utilizado e as possibilidades de direcionamento para valorização da carreira.
Como encaminhamento político, apontou a construção de uma agenda própria do PJU e a formulação de propostas capazes de abrir espaço fiscal para sustentar o projeto de reestruturação.
Enfrentamento ao cenário de restrição fiscal

Já Fabiano dos Santos, servidor da área de tecnologia da informação e comunicação do TRT da 2ª Região, argumentou que a discussão sobre carreira precisa estar conectada ao debate mais amplo sobre o papel do Estado e do serviço público.
Na avaliação dele, as restrições orçamentárias acumuladas ao longo dos anos e os mecanismos de controle dos gastos públicos produzem limites concretos para a valorização das carreiras. Fabiano defendeu que a categoria formule seu próprio projeto e dispute as condições necessárias para viabilizá-lo, em vez de tomar como dado o cenário de restrição fiscal.
Chamado à unidade
A segunda mesa antes do debate do plano de lutas reuniu representantes de três centrais sindicais — CUT, CSP-Conlutas e CTB — para discutir organização sindical e atuação nacional.
Apesar das diferenças de concepção e estratégia entre as centrais, as intervenções convergiram na defesa de que os desafios da categoria exigem capacidade de construir unidade em torno dos objetivos comuns.

Representando a CUT Bahia, Alfredo Santos Jr. destacou que divergências fazem parte da dinâmica sindical, mas não devem impedir a construção de agendas compartilhadas em defesa dos trabalhadores e trabalhadoras.
Segundo ele, há espaço para diferentes caminhos e propostas sem perder de vista objetivos comuns como valorização profissional, melhores condições de trabalho e fortalecimento da representação sindical. Também defendeu que o respeito às divergências esteja baseado no debate político e não na personalização dos conflitos.

Pela CSP-Conlutas, Luciana Carneiro reforçou que os desafios enfrentados por servidores e servidoras do PJU e MPU não estão isolados das transformações mais amplas do mundo do trabalho.
Ao relacionar temas como precarização, formas de contratação e mudanças nas relações de trabalho com a realidade do serviço público, defendeu que a categoria fortaleça sua capacidade de atuação coletiva e sintetizou o chamado à unidade afirmando que “estamos todos no mesmo barco”.

Encerrando o debate, João Paulo Ribeiro, da CTB, destacou que o momento exige capacidade de construir consensos que permitam acumular avanços concretos para negociação coletiva e organização sindical.
Para ele, unidade não significa eliminação das diferenças entre entidades e correntes, mas disposição para convergir em torno dos objetivos estratégicos da categoria.
Plano de lutas e calendário de mobilização
A última mesa do dia foi dedicada à análise e aprovação das propostas de resoluções apresentadas à plenária, que irão compor o plano de lutas da categoria e o calendário de mobilização. A mesa foi conduzida pelas coordenadoras Soraia Marca e Juliana Rick e pelos coordenadores Fábio Saboia, Paulo Falcão e Nelson da Costa.
Após intensos debates e negociações em plenário, delegadas e delegados entraram em acordo e aprovaram algumas das estratégias que irão orientar a atuação da Fenajufe em defesa da reestruturação da carreira e das demais pautas das servidoras e dos servidores do PJU e MPU.
A análise das demais propostas ficou para este domingo (7/6). O calendário e demais deliberações serão divulgados em breve.