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Sindicato dos Servidores das Justiças Federais no estado do Rio de Janeiro - Telefone: (21) 2215-2443

Servidores da Justiça Federal relatam medo, frustração e se sentem traídos pela Administração

Sindicato vai traçar estratégias a partir das necessidades apontadas pela categoria

Servidores da Justiça Federal relatam medo, frustração e se sentem traídos pela Administração, SISEJUFE

“Setembro não é o ideal, AINDA. Vacina não garante 100%, AINDA. Estrutura protetiva oferecida não é suficiente, AINDA. Retorno presencial menos AINDA necessário. Falta melhoria na tecnologia do atendimento. Falta resposta às soluções propostas. Falta estudo prévio. Falta proteção. Falta teletransporte. Falta até excluído digital. Falta gratidão. Falta respeito. Somos serviço público com obrigação de prestação essencial, nunca negado e integralmente prestado. E eficientemente prestado.”

Esse texto foi postado no chat da reunião virtual do Sisejufe com servidores da Seção Judiciária do Rio de Janeiro (SJRJ) e do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), na noite desta terça-feira (10/8). Em verso e prosa, a servidora, que prefere não se identificar, resumiu os sentimentos externados pelos participantes da conversa chamada pelo sindicato para discutir o retorno ao atendimento presencial na Justiça Federal.

A diretora do Sisejufe e coordenadora da Fenajufe, Lucena Pacheco, ressaltou a importância de cada um tirar suas dúvidas e contar as inseguranças e angústias. “Queremos ouvir vocês que já voltaram ao presencial para saber como tem sido a nova rotina e quem não retornou, como está o trabalho. A partir daí, iremos traçar nossas estratégias”, afirmou.

Várias servidoras e servidores fizeram questão de relatar o que estão vivenciando. Para evitar exposições, optamos por mostrar o sentimento geral, que se repete nos depoimentos: a maioria se disse surpreendida pelo retorno antecipado sem planejamento; muitos externaram que estão indo trabalhar com medo, ou porque tomaram só uma dose da vacina ou porque têm receio de contaminar terceiros, caso peguem a Covid; quem pertence ao grupo de risco ou tem alguma comorbidade e ainda está no trabalho remoto, se disse culpado por sobrecarregar os que já estão sendo chamados ao presencial.

Um outro problema relatado foi o incômodo de ter de expor à chefia o atestado de comorbidade. Sobre este assunto, os diretores do Sisejufe orientaram que o atestado pode ser encaminhado ao setor de saúde e que se não for aceito, trazer a questão para o sindicato. Alguns servidores que já retornaram afirmaram que o movimento tem sido muito baixo, com pouco ou nenhum atendimento, muito menos aos excluídos digitais, o que reforça a exposição desnecessária ao risco. Foi unânime o pedido para que o sindicato continue requerendo da Presidência do TRF2 a reconsideração da decisão.

A diretora Soraia Marca destacou que o Sisejufe segue trabalhando incessantemente a fim de cobrar da Administração um plano de retorno que não coloque em risco a vida da categoria. A dirigente sindical informou, ainda, que foi solicitado o mapeamento de vacinação e o esclarecimento urgente de outras dúvidas que continuam sem respostas, aumentando a insegurança, como o fato de servidores terem que retornar a setores desprovidos de janelas e ventilação natural, por exemplo.

A presidenta do Sisejufe, Eunice Barbosa, afirmou que o retorno foi precoce e desorganizado. “Temos um processo de vacinação lento, mas que está nos atendendo. A maioria, no entanto, ainda está apenas com a primeira dose de imunização e outra parte sequer tomou a primeira dose. Além disso, temos a variante Delta, que está provocando aumento na curva de contaminação no estado do Rio de Janeiro, o mais afetado pela nova cepa. Não temos cenário propício para retornar agora com segurança. Não dá para fazer o retorno sem ouvir as entidades, como os gestores fizeram lá no início, e sem o parecer científico da Fiocruz, que sequer foi ouvida neste momento. Queremos chamar a atenção da Administração para que ela se organize. É o que chamamos de co-responsabilidade”, enfatizou.

Eunice acrescentou: “Estamos passando nos setores, encontrando os colegas. É muito triste o que a gente ouve. A perplexidade, a frustração é generalizada. Um colega me disse: ‘Aquela Administração humanizada foi uma brisa rápida. Passou. Vivemos tempos difíceis. Voltamos à era do Cumpra-se’. É muito lamentável”.

O Coordenador do Departamento de Acessibilidade e Inclusão, Ricardo Azevedo, falou sobre o risco a que estão expostos os servidores e todos os que acabam tendo de frequentar os tribunais devido à atitude equivocada da Administração e alertou para a situação delicada dos estagiários, que não tomaram vacina ainda, têm vínculo precário e também estão sendo obrigados a trabalhar presencialmente. A diretora Laura Diógenes lembrou que os jovens sem vacina estão sendo colocados em risco. Já o diretor Ricardo Horta chamou a atenção para os terceirizados, que ficam igualmente expostos. Ele relatou o caso recente de dois terceirizados que ainda estão afastados com Covid, após terem tido contato com outro colega infectado. “Temos que priorizar a preservação da vida”, disse.    

O servidor Carlos José dos Santos, diretor de secretaria do 4º Juizado Especial Federal, lembrou da fábula “O Porco e o Cavalo” para mostrar como estava se sentindo neste momento.

“O cavalo ficou doente e todos disseram: se ele não melhorar até amanhã vamos ter de sacrificar. O porco ficou maluco porque era amigo dele e disse: levanta, por favor, você vai conseguir. Você vai levantar, aguenta firme. Com tantas palavras positivas, o cavalo se curou. No dia seguinte, veio o veterinário para sacrificar o cavalo, mas graças às palavras do porco, o amigo estava de pé. Todo mundo ficou espantado porque o bicho estava de pé e não precisaria ser sacrificado. Então, o pessoal resolveu comemorar matando o porco para fazer um churrasco”, contou.

Carlos José continuou: “Eu estou me sentindo um porco. Quando precisaram da gente, disseram: vamos lá, vamos trabalhar de casa. E agora nos fazem retornar assim… Faltou planejamento. Ninguém quer ficar sem trabalhar, mas queremos voltar com segurança. Não queremos matar, não queremos morrer”, disse.

Eunice Barbosa informou que vai reiterar o pedido de reconsideração ou que o retorno seja feito de forma segura. “Vamos continuar cobrando que a Administração ouça vocês. Vamos encaminhar as contribuições que colhemos nesta reunião e nas conversas que estamos fazendo com os colegas nas visitas aos setores”, disse a presidenta do Sisejufe.    

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