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Oficiais de justiça discutem segurança e desafios da carreira

IV Encontro Regional Sudeste de Oficiais de Justiça Avaliadores Federais acontece nesta sexta e sábado no auditório do Sisejufe. Pai do servidor Francisco Ladislau Pereira neto, assassinado durante cumprimento de mandado, foi homenageado

IV Encontro Regional Sudeste de Oficiais de Justiça Avaliadores Federais acontece nesta sexta e sábado no auditório do Sisejufe. Pai do servidor Francisco Ladislau Pereira Neto, assassinado durante cumprimento de mandado, é homenageado
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Mesa de abertura do IV Encontro Regional Sudeste de Oficiais de Justiça

Tais Faccioli*

Segurança e melhores condições de trabalho para os oficiais de justiça. Este é um dos temas em destaque no IV Encontro Regional Sudeste de Oficiais de Justiça Avaliadores Federais, que acontece nessa sexta-feira (12/6) à noite e no sábado o dia inteiro, no auditório do Sisejufe. Além do Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo e Minas Gerais, o evento recebe ainda participantes da Bahia, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.

A mesa de abertura, mediada pela diretora do Sisejufe Mariana Liria, contou com a presença de Marcelo Ortiz, vice-presidente da Fenassojaf; Viviane Minardi de Oliveira, diretora da Assojaf 15; Neemias Ramos Freire, vice-presidente da Aojustra; Marcos Venicius de Siqueira Lima, presidente da Assojaf ES; e Wellignton Marcio Gonçalves, vice presidente da Assojaf MG.

Após os discursos iniciais, a diretora Mariana Liria lançou a campanha “Na outra função também bate um coração”, uma iniciativa do Núcleo de Oficiais de Justiça do Sisejufe, que tem por objetivo sensibilizar e unir toda a categoria do Judiciário Federal. Depois, em um momento de grande emoção, o oficial de justiça Francisco Ladislau Pereira Neto foi lembrado com um minuto de silêncio. Francisco foi assassinado há sete meses durante cumprimento de mandado em Barra do Pirai, no Sul Fluminense, onde era lotado. O pai do servidor, o jornalista Chico Pardal, presente ao encontro, foi homenageado.

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Pai do oficial de justiça Francisco Ladislau Pereira Neto foi homenageado

 

“Francisco não pode ser esquecido porque Francisco somos todos nós.  Que estejamos sempre com sua família”, disse Mariana a Chico Pardal.

Com a voz embargada, o jornalista  agradeceu a lembrança e reforçou que, mesmo tendo perdido o filho, continua na luta pela segurança dos oficiais de justiça.

“É um momento muito difícil. A mãe do Francisco não sai mais de casa… ela nem consegue trabalhar. Eu estou um pouco melhor, mas também sofro muito. Ele era um menino dedicado, inteligente, passou em cinco concursos para oficial de justiça. Primeiro trabalhou em Santa Catarina, depois veio para Barra do Pirai e aconteceu o que aconteceu. Eu já perdi meu filho, mas não quero que aconteça com nenhum de vocês. Trabalhar com segurança é o mote principal desta luta”, afirmou.

Mariana criticou, no evento, o Supremo Tribunal Federal (STF), que negou essa semana aposentadoria especial aos oficiais de justiça e agentes de segurança. “Disseram que não estamos expostos a riscos objetivos. Quando estamos na rua somos nós e Deus. Infelizmente perdemos esse julgamento e ainda fomos tratados com deboche por alguns ministros do Supremo”, lamentou a diretora.

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Vice-presidente da Oajustra, Neemias Ramos Freire

O vice-presidente da Aojustra, Neemias Freire, encerrou o primeiro dia do encontro com uma palestra em que mostrou a função milenar do oficial de justiça, a profissão na legislação brasileira e os desafios da carreira.

No sábado, o grupo discutiu o papel do oficial de justiça no novo Código de Processo Civil (CPC). O painelista foi o oficial de justiça avaliador federal do TRF1, Marco Antonio Paiva Nogueira Junior. O mestre em direito pela Universidade federal de Minas Gerais fez uma análise das perspectivas da categoria.

A especialista em planos de carreira Vera Miranda, acredita que deve ser meta estratégica dos oficiais de justiça a construção de uma carreira nacional, que inclua os servidores estaduais, para fortalecer a categoria. A curto prazo, é necessário construir uma área de atividade, como antídoto às práticas de terceirização, bem como regulamentar os riscos da profissão. Também é fundamental estruturar o cargo de oficial de justiça avaliador federal. A assessora política do Sisejufe defendeu ainda uma política de capacitação mais voltada para o cotidiano do que para a carreira acadêmica. “Hoje a capacitação é fundamentada nos valores do estado mínimo, em detrimento do desenvolvimento e da valorização do servidor.” Ela ponderou que cada sindicato estadual deve criar um grupo de trabalho para debater o futuro dos oficiais de justiça.

A assessora política do Sisejufe, Vera Miranda, apontou os desafios da categoria

A assessora política do Sisejufe, Vera Miranda, apontou os desafios da categoria

O médico Rogério Alexandre Dornelles apresentou estatísticas sobre a saúde dos oficiais de justiça. Os números são alarmantes, e demonstram o adoecimento da categoria que sofre com a insegurança no exercício de suas atividades. Estudos apontam que 50% dos incidentes não são notificados. “É preciso reverter essa situação.” O especialista em medicina do trabalho também está preocupado com o acesso remoto. “Não haverá mais troca entre os colegas. E a solidão é uma das principais causas dos problemas de saúde.” O plenário sugeriu que os oficiais tenham momentos de encontro entre os servidores e a utilização das mídias sociais para a troca de ideias.

O painel Atividade Judiciária, Administrativa e Legislativa encerrou o encontro, com a participação de representantes da Federação Nacional das Associações de Oficiais de Justiça Avaliadores Federais Marcelo Ortiz (vice-presidente), Alexandre Marques (assessor parlamentar) e Rudi Cassel (assessor jurídico).

* Da Redação, com a colaboração de Cristiane Vianna Amaral

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