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Escuta Mulher debateu o enfrentamento à violência de gênero nas perspectivas do trabalho, da negritude e da autonomia das mulheres e expôs as múltiplas realidades vivenciadas pelas mulheres

Encontro, na última terça-feira (14/11), foi transmitido ao vivo pelo canal do Sisejufe no Youtube

Escuta Mulher debateu o enfrentamento à violência de gênero nas perspectivas do trabalho, da negritude e da autonomia das mulheres e expôs as múltiplas realidades vivenciadas pelas mulheres, SISEJUFE

Mais uma vez, o Escuta Mulher se consagra como um espaço potente e acolhedor de discussão, aprendizado e troca de saberes entre as mulheres. O encontro de agora, realizado na última terça-feira (14/11), foi transmitido ao vivo pelo canal do Sisejufe no Youtube e teve como tema o enfrentamento à violência de gênero nas perspectivas do trabalho, da negritude e da autonomia das mulheres.

Lucena Pacheco, presidenta do Sisejufe e coordenadora da Fenajufe, foi a debatedora. Coube a ela dar as boas-vindas às nossas palestrantes ilustres: Anny Figueiredo, secretária de Mulheres do Sisejufe; Dara Sant’anna, coordenadora nacional do Coletivo Nacional de Juventude Negra (Enegrecer) e membro do Conselho Nacional de Promoção de Igualdade Racial (2017-2019); Eleutéria Amora, fundadora e coordenadora-geral da CAMTRA, historiadora especialista em Políticas Públicas e mestranda da FGV-RJ; e Natália Trindade, pesquisadora dos Estudos de Gênero, doutoranda em Direito pela UFRJ, advogada e vice-presidente do Conselho Municipal de Política para as Mulheres da cidade do Rio de Janeiro. Além delas, Vera Miranda, assessora política do Sisejufe também teve uma pontual e importante fala sobre o tema.

Lucena apresentou cada uma com muita reverência e agradecimento à participação delas e, em seguida, passou a palavra para as explanações iniciais das convidadas.

Anny começou dando um panorama geral sobre a violência e o assédio sofrido pelas mulheres no trabalho e como impacta de forma diferente as mulheres: “De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Patrícia Galvão em parceria com a Fundação Rosa Luxemburgo, em 2019, 76% das trabalhadoras já sofreram violência e assédio no trabalho. A pesquisa revelou que as mulheres mais vulneráveis a esse tipo de violência são as mulheres negras, jovens, lésbicas, bissexuais, trans e travestis, com deficiência, migrantes, rurais e domésticas. A pesquisa também mostrou que a violência e o assédio no trabalho têm graves consequências para a saúde física e mental das mulheres, como estresse, ansiedade, depressão, baixa autoestima, insônia, dores, doenças, traumas, etc”.

Fez também um recorte de como essa violência atinge as mulheres do Judiciário: “As servidoras públicas do judiciário também podem ser vítimas de violência e assédio no trabalho, tanto por parte de superiores, colegas, subordinados, usuários ou terceiros. Essas situações podem causar danos à saúde, à carreira, à produtividade, à qualidade dos serviços e à imagem das instituições judiciais. Segundo uma pesquisa do CNJ, 76% das trabalhadoras do setor público já sofreram violência e assédio no trabalho, sendo que 42% relataram assédio sexual e 34%, assédio moral. A maioria das vítimas não denuncia os casos, por medo, falta de confiança, desconhecimento ou vergonha. O CNJ aprovou a Resolução n. 351/2020, que institui a Política de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral, do Assédio Sexual e da Discriminação no Âmbito do Poder Judiciário, e lançou uma cartilha com orientações sobre o tema. Além disso, o CNJ participa da campanha “21 Dias Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher”, que visa sensibilizar o Poder Judiciário para o tema”, disse Anny sobre algumas das iniciativas que buscam combater a violência e o assédio contra as mulheres no Judiciário.

Eleutéria falou sobre a necessidade de políticas públicas que deem conta de atender às necessidades e demandas das mulheres e detalhou o trabalho feito na CAMTRA, na Casa da Mulher Trabalhadora:  “Viver é esperançar. Então, o trabalho que todas nós estamos envolvidas requer paciência, consistência, permanência e não desistir da outra ate porque nós esperamos que ninguém desista de nós. É o se importar, cuidar. Romper com as situações de violência que o patriarcado nos impõe e lutarmos juntas”.

Natália veio em seguida e comentou a responsabilidade de falar logo após Eleutéria, a quem chamou de referência no movimento feminista. Como pesquisadora que é, Natália discorreu sobre o tema de seu mestrado, que fala sobre o uso do tempo das mulheres com relação ao trabalho doméstico: “Vivendo numa sociedade capitalista, o tempo das mulheres ser dedicado a um trabalho não remunerado já nos coloca numa condição de objeto, de desvalorização e de possível violência”, afirmou.

Dara trouxe para a discussão números e já começou impactando a todas com os esses dados: “Quatro mulheres foram mortas por dia no Brasil, primeiro semestre de 2022. 699 só ate julho do ano passado, gente! São dados de violência que nos mostram que tivemos um aumento de 3% em relação a 2021. A questão da autonomia econômica nos coloca em um lugar de muita vulnerabilidade e isso tem que ser encarado, isso é um fator que coloca as mulheres vulneráveis, sim. E a questão racial também precisa ser vista, analisada quando se fala em violência contra as mulheres. A gente não pode tratar isso no âmbito da individualidade”.

Vera Miranda fez apontamentos sobre cada uma das falas e, em relação à violência contra a mulher, se ateve a essa questão no ambiente do trabalho: “A gestão do tempo no trabalho, a busca pela produtividade e como as novas tecnologias potencializam essas violências. Como isso se dá no ambiente de trabalho com as servidoras públicas, por exemplo? Enfim, o debate do desempenho, do quanto você produz e como essas cobranças impactam a vida das mulheres que são as que têm dupla, tripla jornada? Isso tudo precisa ser analisado, encarado nesse debate.”

Lucena agradeceu às participantes e abriu a rodada de encerramento com uma fala rápida de cada uma das convidadas: “Por mais que se fale, a gente precisa falar e ouvir mais, mais e mais para, a partir daí, ir construindo a consciência de cada um, de cada uma, para ir operando as mudanças necessárias para essa caminhada. Obrigada, obrigada e obrigada. Foi lindo!”

A Fenajufe e o Sintrajufe/RS retransmitiram ao vivo a live do nosso Escuta Mulher, amplificando ainda mais a fala potente de cada uma delas.

Para quem quiser acompanhar o debate, na íntegra, clique aqui.

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