O livro do servidor do TRE, filiado do Sisejufe, Márcio Lacerda, “O Som das Minhas Lembranças:
“O Som das Minhas Lembranças” possui 22 contos que falam sobre as experiências de Márcio Lacerda em 15 anos no Instituto Benjamim Constant, uma escola especializada em educação para pessoas cegas e com baixa visão. “Através dessas histórias, eu quero desmistificar a ideia de que vivíamos em um ambiente de segregação. Na verdade, éramos crianças normais, que estudavam, brincavam e se divertiam. Eu pretendo usar esse material para fazer palestras e sensibilizar as pessoas sobre a importância da formação de pessoas com deficiência visual”, conta o autor.
Confira a sinopse oficial
“O Som das Minhas Lembranças: Contos de Um Menino em uma Escola para Pessoas Cegas” busca transportar para um ambiente que o tempo e novas metodologias pedagógicas encerraram, mas que, na época, foi muito importante para a formação de pessoas cegas. Nos anos 80, o IBC ainda contava com mais de 300 alunos matriculados em um regime de internato e semi-internato, o que rendeu inúmeras histórias interessantes com pessoas cegas que passavam mais tempo juntas do que com suas famílias. Esse cenário promoveu um convívio de muita camaradagem, que gerou laços muito fortes entre aqueles que puderam se educar ali e, em grande parte, sair para viver suas vidas com a coragem e as armas oferecidas durante a estada naquela escola.
Hoje, já não há mais regime de internato nem semi-internato, cumprindo a missão de transmitir o cotidiano de meninas(os) cegas(os), cujas famílias tiveram o desprendimento de, a despeito do afastamento familiar, buscar instrução para seus membros e não deixá-los em casa sem nada para fazer, aparentemente protegidos. Espera-se que, ao longo desses 22 contos, o(a) leitor(a) possa divertir-se, emocionar-se ou até indignar-se, uma vez que se trata de lembranças de histórias vivenciadas por pessoas cegas dentro de um ambiente escolar, cujos fatos retratam a situação particular daqueles que são educados sem a visão. Os contos obedeceram a uma ordem cronológica e retrataram cerca de 15 anos em que frequentei como aluno o Benja.
Finalizo a presente, com a intenção de que este livro seja capaz de mostrar à sociedade que, ao contrário do que se imagina, o modelo de escola especial não é ruim. Ele cumpriu seu papel e, ainda hoje, pode ser útil para aqueles que optem por ele, desde que a escolha seja possível. Os contos revelam uma convivência infantil comum, e o(a) leitor(a) há de se identificar com algumas delas. Busca-se contribuir com uma mudança no comportamento da sociedade, na forma como ela pensa sobre o cenário reproduzido na obra, promovendo, por conseguinte, uma quebra da barreira atitudinal.