SINDICATO DOS SERVIDORES DAS JUSTIÇAS FEDERAIS NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
REDES SOCIAIS
YouTube

NPCD – Sisejufe participa do XX Encontro de Usuários de Dosvox

O Sisejufe participou entre 15 e 17 de novembro do XX Encontro de Usuários do DosVox que aconteceu no Hotel Sol Victória Marina, em Salvador (BA). Durante o evento foram apresentados os avanços do sistema, que é um programa de computador baseado na síntese de voz, que facilita o acesso de pessoas com deficiência visual e cegas a microcomputadores. Foram promovidas oficinas e palestras de audiodescrição para filmes e imagens estáticas; e discutido o acesso de pessoas com deficiência visual e cegas no Ensino Superior. O diretor do sindicato e membro do Núcleo de Pessoas com Deficiência (NPCD) Dulavim Lima representou a entidade na ocasião.

O encontro contou também com apresentações culturais protagonizadas por pessoas cegas. Como ocorreu em Salvador, o evento também foi chamado de AxéVox e serviu para que dezenas de pessoas com deficiência visual e cegas pudessem se reencontrar, como fazem todos os anos durante os encontros em várias capitais do país. Mais de 150 pessoas de diversas cidades  participaram. Foi informado que nos próximos meses será lançada a nova versão 6.0 do sistema, que promete muitas novidades.

Baseado na síntese de voz, o DosVoz foi desenvolvido pelo Núcleo de Computação Eletrônica (NCE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que se destina a facilitar o acesso de pessoas com deficiência visual e cegas a microcomputadores. Por meio do uso foi possível observar o aumento significativo nos índices de independência e motivação de pessoas com deficiência visual e cegas, tanto nos estudos, trabalho e na interação com outras pessoas, sendo que o sistema pode ser ligado à internet. O DosVox é usado por mais de 100 mil pessoas na América Latina e em Portugal. O sistema pode ser baixado gratuitamente no site da UFRJ.

De acordo com Dulavim, apesar do nome (Encontro de Usuários de Dosvox), o fórum não se limita a discutir somente o DosVox. Também aborda  outras tecnologias postas à disposição do coletivo dos deficientes visuais com o avanço da informática como leitores de telas, celulares com leitores de telas, linhas braile, impressoras braile, scanners/OCR (OCR é como são conhecidos os softwares reconhecedores óticos de caracteres, ou seja, programas que através de um scanner transformam textos impressos em textos digitalizados).

O dirigente ressaltou que no XX Encontro Nacional de Usuários do Dosvox também foram temas de debate: áudiodescrição de imagens estáticas; automaquiagem; técnica em locução; sala de aula, educação e deficiência visual; deficiência visual e ensino superior; educação inclusiva para DV, desafios da escola; deficiência visual, benefícios sociais e previdenciários; a vulnerabilidade da mulher com deficiência; todos não ligados diretamente à tecnologia.

 

Como o DosVox nasceu

Em 1993, o professor José Antônio dos Santos Borges, enquanto ministrava aula de computação gráfica no curso de Matemática/Informática na UFRJ, se deparou com um aluno cego.  Marcelo Pimentel fazia anotações em braile, mas, nem o professor Antônio nem qualquer outro docente da universidade sabia o sistema braile. O professor Antônio poderia aprender braile, como aprendeu. Mas, e os outros professores, teriam a mesma disponibilidade? Então a saída foi fazer com que o aluno cego pudesse ler e ser lido. Assim, orientado por Antônio e programado por Marcelo, surgia o primeiro utilitário do Sistema Dosvox, o editor de textos, Edvox. Hoje o sistema consta com uma série de utilitários e é utilizado por mais de 100 mil usuários, principalmente no Brasil e Portugal.

O professor Antônio  acreditava, na ocasião,  que o Dos Vox  fosse usado por Marcelo e mais outros alunos da universidade, que em 1993 eram sete, entre eles o atual diretor do Sisejfe  Dulavim de Oliveira Lima Júnior. No entanto, a partir de um teste aberto em 1994, o sistema ganhou o público com deficiência visual.

“Naqueles anos, a informática ainda estava longe de ser o que é hoje. A internet praticamente não existia, salvo em universidades e outros locais privilegiados, normalmente ligados à pesquisa. Computador com placa de som era um ‘luxo’, uma verdadeira raridade. Para funcionar, já que como dito, os computadores não possuíam placa de som, o Dosvox utilizava um hardlook conectado na placa serial, onde, naquela época, normalmente era conectada a impressora”, lembra Dulavim.

Mesmo assim, instalado em laboratórios de informática ou nas casas de usuários mais privilegiados, pois acesso à informática não era privilégio para qualquer um, então, o que não dizer de um grupo com maior dificuldade de acesso, o sistema foi um sucesso, e, porque não dizer, a ferramenta que colocou os deficientes visuais na informática ao mesmo tempo que aqueles/aquelas de visão normal, ou seja, desde o início da caminhada para as pessoas comuns, não profissionais ligadas a esse novo “mundo ainda estranho”.

 

 

Compartilhe