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Dica cultural: livro “Aglomerados” mostra dores, angústias e alegrias de escritores no isolamento social

Uma das autoras, Bárbara Marca, é filha da servidora do TRF2 e diretora do Sisejufe, Soraia Marca

Dica cultural: livro “Aglomerados” mostra dores, angústias e alegrias de escritores no isolamento social, SISEJUFE

A pandemia trouxe inquietude e incertezas para as pessoas em todo o mundo. Muitos escritores aproveitaram o momento de introspeção no confinamento para registrar seus próprios sentimentos. Foi o que aconteceu com a autora Bárbara Marca. Ela foi convidada, juntamente com outros 14 escritores, para colocar no papel as observações sobre os novos mundos – o lá de fora e o outro, tão íntimo, levado dentro do peito –, sejam dores ou angústias, alívios ou alegrias, as mais variadas descobertas. O resultado está no livro “Aglomerados”.

Mundo fechado

A sinopse mostra um pouco do clima das histórias contadas: “Então veio a emergência de nos afastarmos, de nos trancafiarmos, de evitarmos aglomerações. Os abraços foram proibidos, os apertos de mão se tornaram perigosos, talvez um aceno fosse aceito, mas, por gentileza, permaneçam lá do outro lado do portão que olho no olho também não pode. Vimos o mundo, antes gigante, ser fechado, confinado, reduzido ao espaço das nossas casas. São tempos difíceis, sem toque, apenas o touch é seguro, a aproximação permitida somente pelas telas dos celulares, as velas dos bolos de aniversário sopradas por câmeras de computadores. Quem diria? Atropelos de informações, lavem as mãos, passem álcool em gel, usem máscaras, o vírus invisível avança, as emoções fervilham, saltam à flor das peles”, exalta o texto. 

Bárbara Marca conta que a ideia do livro nasceu logo no início da pandemia, em um grupo de WhatsApp que reúne alguns dos escritores. 

“Não tínhamos a pretensão de publicar um livro físico, a princípio iríamos lançar um projeto em formato de e-book. Mas o trabalho foi tomando uma forma tão bonita que decidimos buscar uma editora disposta a comprar a ideia. Fizemos contato com um agente literário e ele começou a realizar o meio de campo com algumas editoras. Foi aí que recebemos a proposta da Editora Qualis. Eles nos deram muita liberdade pra opinar em tudo. Nos sentimos acolhidos”, completou. 

Medos e fantasmas

A autora diz que o processo de escrita foi muito difícil. 

“Essa realidade pandêmica, acompanhada por um rigoroso isolamento social – logo ali no início de tudo – era distópica demais para acreditarmos com facilidade, não só os escritores mas toda a humanidade. O medo constante, o susto, a preocupação com coisas que antes eram tão corriqueiras como ir ao mercado, por exemplo, acabaram despertando em cada um de nós alguns fantasmas que nem sabíamos existir. E foi esse o pano de fundo que compôs o “aglomerados”. A escrita tornou-se esse momento em que conseguimos nos reunir apesar de toda a distância, de tudo o que estávamos vivendo”, revelou. 

Bárbara explica que o grupo tinha um prazo limite muito curto para entregar os textos e, no período final desse prazo, a sua avó acabou sendo internada. 

“Foi duro. Ela acabou vindo a óbito e eu quase desisti do projeto, realmente não tive forças pra criar mais nada. Eu fiz desse livro, então, um marco de superação para mim mesma e uma homenagem a ela. Inclusive um amigo querido, o Alê Magalhães, responsável por organizar tudo, escreveu para o livro um texto em homenagem à minha vozinha, também, e esse carinho só me evidenciou ainda mais a mensagem que buscamos passar com o livro: podemos estar separados hoje mas estamos juntos sempre, seja no amor, na amizade, nas dores… estamos juntos”, detalhou.  

A escritora diz acreditar que o livro abraça quem o lê. “Todos nós podemos nos encontrar nas palavras compartilhadas ali. Todos nós conseguimos nos enxergar em alguma daquelas situações. E isso mostra que, apesar de todas as diferenças, estamos todos conectados em nossas humanidades”, acrescentou.

Momento de introspecção

Bárbara garante que, das coisas que vai levar desses momentos de isolamento, o olhar pra dentro é a mais cara delas. 

“Estávamos acostumados a passar o tempo na presença de muitas pessoas, sempre cercados de gente, ocupados demais para olhar para nós mesmos e, de repente, nos vimos trancafiados em nossas casas, tendo apenas nossa própria companhia pra desfrutar. Me vi forçada a conhecer essa mulher completamente estranha que eu era – e ainda sou…- para mim mesma. E precisei aprender a desfrutar da companhia dela e acolhê-la em suas dores”, reflete. 

Bárbara – que além de escritora é agitadora cultural e idealizadora do sarau Colóquio -, conta que está terminando de escrever o próximo livro, que será publicado pela editora Crivo ainda esse ano.

Como adquirir o livro “Aglomerados”

Dica cultural: livro “Aglomerados” mostra dores, angústias e alegrias de escritores no isolamento social, SISEJUFE

O título pode ser comprado diretamente no site da Editora Qualis, através da Amazon ou pelo Instagram dos autores com o diferencial de ser enviado com autógrafo e dedicatória. O Instagram de Bárbara Marca é @babiemversos.

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