Neste 21 de setembro, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, o Sisejufe relembra que essa é uma luta que não acaba com o fim do mês. A data representa um marco importante relembrar conquistas, denunciar retrocessos e fortalecer a mobilização em defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Neste ano, o Sisejufe lançou uma campanha nas redes como forma de conscientizar a categoria e reforçar que o capacitismo existe dentro do cotidiano, e como evitá-lo.
Norteada pela frase “Nada sobre nós sem nós”, a campanha deixa claro que a sentença vai além de um simples tema, é um princípio: decisões que dizem respeito à vida das pessoas com deficiência precisam contar com a participação delas. Afinal, ninguém conhece melhor as próprias experiências, necessidades, escolhas e desejos do que quem os vive.
No dia a dia, muitas atitudes acontecem com boa intenção, mas podem acabar limitando a autonomia: fazer algo pela pessoa sem perguntar, decidir por ela, tratá-la como criança ou transformar uma atividade cotidiana em motivo de surpresa ou aplauso. São comportamentos que podem parecer pequenos, mas revelam uma forma de enxergar a deficiência que ainda precisamos transformar.
Incluir não é apenas abrir a porta de um espaço. É garantir que a pessoa possa estar ali, participar, se comunicar, fazer escolhas, ser ouvida e exercer sua autonomia. Por isso, vamos além da campanha. O Departamento de Acessibilidade e Inclusão (DAI) do sindicato está preparando um curso para aprofundar temas que apareceram ao longo desta campanha: barreiras atitudinais, terminologia, Lei Brasileira de Inclusão e acessibilidade na prática. Em breve divulgaremos mais informações.
A luta anticapacitista não pode parar
Para o coordenador do DAI, Ricardo Soares, a data também é um momento de reflexão sobre os avanços conquistados e os desafios que ainda permanecem para a construção de uma sociedade verdadeiramente inclusiva. “Hoje vivemos mais um Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência em nosso país. É uma data de profunda reflexão sobre o quanto evoluímos ao longo do tempo, mas também sobre o quanto ainda precisamos avançar para construir uma sociedade verdadeiramente inclusiva. A cada dia, nós, pessoas com deficiência, precisamos provar algo para alguém. Nossa capacidade é constantemente colocada à prova e, muitas vezes, nem é necessário colocarmos o pé para fora de casa para sofrermos com o capacitismo”, começa o dirigente.
“O preconceito e a discriminação que enfrentamos diariamente podem começar na própria família e perpassam todas as instituições e diferentes fases da vida. Por isso, a luta anticapacitista não pode parar em nenhum momento. Ela precisa acontecer o tempo todo e em todos os espaços que ocupamos. Faço uso de uma frase do Movimento Negro para reforçar que não basta sermos contra o capacitismo: precisamos ser anticapacitistas”, finaliza Soares.
Leia mais
O IBGE divulgou, no último dia 18, a segunda edição da publicação Pessoas com deficiência e as desigualdades sociais no Brasil. Nesta edição, o informativo traz dados inéditos a partir do cruzamento de dados do Censo Demográfico 2022 e da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic), além de fontes externas como o Censo Escolar e o Censo da Educação Superior, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), dados eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Painel Estatístico de Pessoal, do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). Acesse a publicação AQUI