A Justiça Federal do Rio de Janeiro (SJRJ) lançou, nesta quinta-feira (27/8), a Pesquisa de Avaliação dos Riscos Psicossociais no Trabalho. Conduzida pelo Instituto Brasileiro de Clínica do Trabalho (IBRACT), sob coordenação da professora Ana Magnólia Mendes (UnB), a iniciativa busca identificar fatores relacionados à organização, à gestão e às relações de trabalho que podem afetar a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida de quem trabalha na instituição.
O coordenador do Departamento de Acessibilidade e Inclusão do Sisejufe (DAI), Ricardo Soares, participou do evento de lançamento. O dirigente destacou a relevância da discussão para quem atua no enfrentamento ao assédio no Judiciário.
“Havia participado de um curso ministrado pela professora Ana Magnólia, bastante interessante, no TRF2, acerca do tema, que é fundamental para quem é membro da Comissão contra o Assédio, como no meu caso. Participo de duas comissões: a do Primeiro Grau e a da Segunda Instância. A primeira, desde a sua criação, sem interrupções”, contou.
Durante o evento, realizado no auditório da SJRJ, no prédio da Av. Rio Branco, o diretor chamou a atenção para a importância da participação da categoria na pesquisa, especialmente diante do cenário de adoecimento no Judiciário.
“O Poder Judiciário tem adoecido seus servidores nos últimos tempos. Basta pegarmos os dados dos últimos 10 ou 15 anos que facilmente percebemos tal questão”, alertou o diretor do Sisejufe.
Ricardo também chamou a atenção para outro fator de risco.
“São inúmeros casos de adoecimento mental e uma enormidade de casos de suicídio em nossa categoria. Isso é grave, muito grave, e precisamos combater tal situação”, enfatizou.
O diretor defendeu que a pesquisa seja amplamente divulgada pela Justiça e que os trabalhadores sejam efetivamente envolvidos no processo de diagnóstico das condições de trabalho.
“A classe trabalhadora necessita ser partícipe deste processo, pois só assim conseguiremos diminuir um pouco os efeitos dessa maldita e nefasta política de metas do Judiciário”, declarou.
Na avaliação de Ricardo, o levantamento também pode contribuir para identificar de forma mais precisa as causas dos problemas enfrentados pela categoria e orientar estratégias de enfrentamento: “Provavelmente não vamos conseguir acabar com o assédio em nossa categoria, mas urge contribuirmos com o mapeamento da situação, de maneira a podermos combater de forma mais assertiva as raízes de nossos problemas”.
Ele reforçou, ainda, que as comissões dos tribunais e o sindicato estão disponíveis para acolher integrantes da categoria que queiram denunciar situações de assédio.
Ao final, Ricardo deixou um chamado à categoria: “Vamos cuidar de nossa saúde!”
Participe da pesquisa
A pesquisa ficará disponível de 27 de agosto a 28 de setembro de 2026 e será realizada de forma on-line. O acesso poderá ser feito por meio de link encaminhado por e-mail e também disponibilizado na intranet da SJRJ.
A participação é sigilosa, confidencial e anônima. As informações serão analisadas de forma coletiva pelo IBRACT, sem identificação individual dos participantes.
Para responder à pesquisa, basta acessar:
Pesquisa de Avaliação dos Riscos Psicossociais no Trabalho
A participação de magistrados(as), servidores(as), estagiários(as), residentes e gestores é importante para a construção de um diagnóstico mais representativo sobre as condições de trabalho, que oriente ações de promoção da saúde na SJRJ.
Saiba mais
Os riscos psicossociais estão relacionados a características da organização, da gestão e das relações de trabalho que podem contribuir para o aumento do estresse, do sofrimento psíquico e do adoecimento físico e mental.
Entre os fatores que podem estar associados a esses riscos estão a sobrecarga de trabalho, demandas excessivas, baixa autonomia, conflitos interpessoais, falta de apoio, assédio e outras condições que impactam a saúde e a qualidade de vida dos trabalhadores.
A pesquisa pretende identificar fatores presentes na organização do trabalho e nos modelos de gestão que possam interferir na saúde e no bem-estar dos(as) trabalhadores(as).
Para quem quiser se aprofundar
A professora Ana Magnólia Mendes autorizou a divulgação de algumas obras relacionadas ao tema:
- As galinhas que lutem — Ana Magnólia Mendes
- Basta Super Eu — Ana Magnólia Mendes
- Desejar, falar, trabalhar — Ana Magnólia Mendes
- PROART – Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho — Emílio Peres Facas
Imprensa Sisejufe, com informações da SJRJ
Descrição da imagem em destaque:
#pratodosverem
Foto mostra Ricardo Soares, diretor do Sisejufe, à esquerda, segurando um microfone e falando em um púlpito da Justiça Federal – Seção Judiciária do Rio de Janeiro. Ele veste camisa cinza e calça cáqui. Ao lado dele, à direita do púlpito, está a professora Ana Magnólia Mendes, da UnB, que usa óculos e esta de roupa preta, olhando atentamente para Ricardo. Ao fundo, parede de madeira e bandeira do Estado do Rio de Janeiro.