A diretora do Sisejufe e coordenadora da Fenajufe, Fernanda Lauria, participou do 2º Encontro Nacional pela Soberania Digital, realizado nos dias 18 e 19 de maio, em Brasília. Também esteve presente a coordenadora Sandra Dias. O evento reuniu especialistas, pesquisadores, movimentos sociais e representantes sindicais de diversos estados.

Fernanda Lauria (à direita) e Sandra Dias, coordenadoras da Fenajufe, no encontro nacional que discutiu soberania digital, em Brasília.
Com atividades no Congresso Nacional, plenárias e reuniões de articulação, o encontro teve como eixo central a construção de estratégias para enfrentar a dependência das Big Techs e fortalecer políticas públicas voltadas ao controle democrático sobre dados, algoritmos e redes, além da defesa de tecnologias abertas e da infraestrutura digital nacional.
Integrante da Coordenação de Inovações Tecnológicas em Processos de Trabalho da Fenajufe, Fernanda Lauria ressaltou a importância da participação sindical no debate.
“O encontro é fundamental na luta pela garantia dos direitos da população na implementação da inteligência artificial e a Fenajufe vem participando ativamente desse processo. O Brasil precisa controlar e armazenar os seus dados e tirar o monopólio das mãos das grandes corporações”, afirmou.
Os debates evidenciaram tanto a fragilidade brasileira no setor quanto experiências internacionais que podem servir de referência. Entre os exemplos apresentados, foi destacado o caso do Irã, com ampla participação de mulheres na área de tecnologia da informação, realidade ainda distante no Brasil.
As mesas de discussão também abordaram o cenário global da soberania digital e apresentaram rankings internacionais sobre autonomia tecnológica. Os países que lideram essa corrida são: China, França, Rússia e Estados Unidos.
Para Lauria, sindicatos e movimentos sociais têm papel estratégico na construção desse processo de busca de protagonismo do país.
“A soberania digital deixou de ser um debate apenas técnico. Ela diz respeito à democracia, à proteção de direitos, à autonomia do país e ao futuro do trabalho. Os sindicatos precisam ocupar esse espaço de discussão, porque a inteligência artificial e as novas tecnologias já impactam diretamente a vida da classe trabalhadora e o acesso da população à Justiça. Garantir os direitos da classe trabalhadora e da população passa, necessariamente, pela soberania digital. Encontros como esse fortalecem a construção coletiva de um projeto de tecnologia comprometido com o interesse público, e não subordinado às grandes corporações”, conclui a coordenadora da Fenajufe.