O 1º de Maio, Dia Internacional das Trabalhadoras e dos Trabalhadores, não é apenas uma data simbólica no calendário. É uma marca histórica da luta da classe trabalhadora mundial por direitos, dignidade e reconhecimento.
Sua origem remonta às greves operárias do final do século XIX, especialmente à luta pela redução da jornada de trabalho, quando trabalhadores e trabalhadoras enfrentaram repressão, perseguição e violência para afirmar um princípio fundamental: quem trabalha deve ter direito a viver com dignidade.
Desde então, o 1º de Maio se consolidou como um dia de memória, resistência e afirmação de classe.
No Brasil, essa trajetória se expressa nas conquistas acumuladas ao longo do tempo: a legislação trabalhista, a previdência social, o salário mínimo, a organização sindical, o direito de greve e, no serviço público, a estrutura de carreiras, a estabilidade e o concurso público como forma de garantir um Estado a serviço da sociedade.
Nada disso foi concedido. Tudo foi conquistado.
E é justamente essa dimensão histórica que precisa ser resgatada neste momento.
Identidade de classe
Um dos principais desafios contemporâneos da luta sindical é a tentativa constante de fragmentar a classe trabalhadora.
No serviço público, isso se expressa na construção de uma falsa narrativa de que servidoras e servidores não fazem parte da classe trabalhadora, como se fossem um grupo à parte, desconectado das demais categorias.
Essa ideia não é neutra. Ela é política.
Seu objetivo é enfraquecer a solidariedade de classe, isolar categorias e reduzir a capacidade de mobilização coletiva.
Reconhecer-se como classe trabalhadora é, portanto, um ato político.
Servidoras e servidores do Judiciário da União são trabalhadores e trabalhadoras que vivem da sua força de trabalho, submetidos a pressões, metas, adoecimento e políticas institucionais que impactam diretamente suas condições de vida.
A unidade da classe trabalhadora, entre setor público e privado, é o que historicamente permitiu avanços reais.
Sem essa unidade, a correlação de forças se desfaz.
Disputa de projetos
O momento atual é marcado por uma disputa clara de projetos de Estado.
De um lado, há iniciativas que apontam para a retomada do diálogo institucional, como o debate sobre a regulamentação da negociação coletiva no serviço público.
De outro, permanecem fortes pressões por reformas estruturais que fragilizam direitos, como a reforma administrativa, a ampliação de vínculos precários e a lógica de gestão baseada exclusivamente em metas e resultados, muitas vezes desvinculada das condições reais de trabalho.
Essa contradição se materializa no cotidiano das servidoras e dos servidores com aumento de cobranças por produtividade; ausência de regulamentação justa do teletrabalho; impactos na saúde mental e física; indefinições sobre carreira e remuneração; e manutenção de distorções e privilégios em segmentos específicos.
É nesse cenário que se insere a luta pela reestruturação da carreira do PJU.
Carreira é projeto de Estado
A reestruturação da carreira não é uma pauta corporativa. Ela diz respeito à capacidade do Estado de prestar serviços de qualidade à população.
Carreiras estruturadas significam: continuidade institucional; qualificação técnica; independência funcional; melhor atendimento à sociedade e condições dignas de trabalho.
Quando a carreira é desvalorizada, o serviço público é enfraquecido. E quando o serviço público é enfraquecido, quem perde é a população.
Estratégia em construção
A partir dos debates entre as entidades sindicais, vem se consolidando uma compreensão importante: o desafio atual não é formular uma nova estratégia do zero, mas dar consequência política ao que já foi construído coletivamente.
Isso passa por quatro eixos centrais: manter a reestruturação no Fórum de Carreiras; intensificar a luta pela derrubada do veto; avançar na reestruturação da malha salarial, com centralidade no STF; e incorporar a negociação coletiva como instrumento estruturante da luta.
A negociação coletiva, em especial, representa um ponto de inflexão.
Historicamente, a ausência de mecanismos formais de negociação no serviço público fez com que grande parte das decisões dependesse de iniciativas unilaterais da administração.
A possibilidade de regulamentação abre espaço para transformar o diálogo em compromisso institucional, mas isso não ocorrerá automaticamente. Dependerá da capacidade de mobilização das entidades e da base.
A experiência histórica da classe trabalhadora é clara: não há conquista sem mobilização.
A proposta de reestruturação da carreira já existe. O debate já foi feito. O acúmulo político está consolidado. O que falta é decisão política. E decisão política não surge espontaneamente. Ela é fruto de pressão organizada.
Nesse sentido, o Sisejufe já iniciou ações concretas com envio de ofício ao STF; mobilização da base para envio de e-mails; e articulação para ampliar a pressão institucional.
Essas iniciativas apontam para a construção de uma campanha integrada, capaz de envolver a categoria e dialogar com a sociedade.
Memória, consciência e luta
Neste 1º de Maio, o chamado não é apenas à celebração, mas à ação. É o momento de reafirmar a identidade de classe das servidoras e dos servidores: a importância da unidade da classe trabalhadora; e centralidade da mobilização para a conquista de direitos.
E também de afirmar com clareza que a Carreira não pode esperar. A proposta está pronta. O que falta é decisão política. E essa decisão só virá com mobilização.