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Sindicato dos Servidores das Justiças Federais no estado do Rio de Janeiro - Telefone: (21) 2215-2443

Sisejufe elege representantes para o Encontro Nacional de Mulheres da Fenajufe

Reunião on-line teve caráter formativo e debateu violência de gênero, direitos e condições de vida das mulheres trabalhadoras.

O Sisejufe realizou, no dia 24 de março, o Encontro Estadual de Mulheres do PJU no Rio de Janeiro. A atividade elegeu a delegação que representará o sindicato no Encontro Nacional de Mulheres da Fenajufe, marcado para os dias 25 e 26 de abril, em Brasília, e também promoveu um espaço de formação e debate sobre a realidade das mulheres trabalhadoras.

Com foco na conjuntura atual, o encontro abordou temas como violência de gênero, precarização do trabalho e garantia de direitos. Participaram como convidadas a professora Taís Adams, secretária da Mulher Trabalhadora e dos Direitos LGBTI+ da APP-Sindicato e secretária-adjunta da CUT Nacional; e Janaína Meazza, assessora da CUT, professora de História, militante da Marcha Mundial das Mulheres e especialista em economia do trabalho e sindicalismo pela Unicamp.

Organização coletiva como resposta à conjuntura

Ao abrir a atividade, a secretária de Mulheres do Sisejufe, Anny Figueiredo, destacou o impacto da atual conjuntura sobre as mulheres trabalhadoras.

“Vivemos numa conjuntura política desafiadora, em que os direitos historicamente conquistados estão sob ameaça constante. Em períodos de instabilidade, somos as mais impactadas pela precarização do trabalho e pelo aumento das diversas formas de violência”, afirmou.

Anny ressaltou, ainda, o papel da organização coletiva como estratégia de enfrentamento. “Esse encontro não é apenas um espaço de reflexão, é um espaço de construção coletiva. Quando nos organizamos, rompemos o isolamento, fortalecemos nossa voz e ampliamos nossa capacidade de transformação.”

Violência de gênero no centro do debate

A assessora política do Sisejufe, Vera Miranda, explicou a proposta da atividade, que combinou formação política e eleição das representantes para o encontro nacional.

“Hoje nós temos uma atividade formativa e, depois, a eleição das representantes. E a pauta não poderia ser outra: a violência contra a mulher, que tem nos atravessado de forma intensa nos espaços de trabalho, sociais, culturais e políticos”, destacou.

Ela também chamou atenção para o contexto de avanço de posturas conservadoras. “Vivemos uma conjuntura marcada por uma reação misógina, que exige ainda mais organização das mulheres trabalhadoras para garantir a vida e os direitos.”

Escalada da violência e desigualdade estrutural

Durante sua exposição, Taís Adams abordou a violência contra a mulher como um fenômeno estrutural e progressivo.

“O feminicídio é o último nível de uma escalada de violência que começa, muitas vezes, com a violência psicológica. É uma tentativa de enfraquecer, isolar e impedir que as mulheres tenham acesso a redes de apoio”, explicou.

Ela também alertou para o crescimento de discursos misóginos, inclusive nas redes sociais. “Estamos diante de uma normalização da submissão feminina, impulsionada por influenciadores (movimento redpill) e discursos que reforçam a desigualdade de gênero”. Taís sugeriu que as mulheres não apenas deixem de seguir esses homens que propagam discursos misóginos, mas também quem os segue nas redes sociais.

Taís destacou ainda a sub-representação feminina na política e seus impactos. “Nós somos mais de 50% da população, mas ocupamos apenas cerca de 18% do Congresso Nacional. Isso interfere diretamente na efetividade das políticas públicas voltadas para as mulheres.”

Mundo do trabalho e reprodução das desigualdades

Janaína Meazza enfatizou que a violência de gênero também se manifesta de forma estruturada no am

biente de trabalho.

“A violência no trabalho não é um desvio, ela está inserida nas próprias relações que organizam esse espaço. Muitas vezes, os agressores ocupam posições de poder, o que revela como a hierarquia influencia essas situações”, afirmou.

Ela apresentou dados que evidenciam a desigualdade enfrentada pelas mulheres. “As mulheres seguem recebendo menos, enfrentando maior informalidade e sobrecarga de trabalho. Isso reduz a autonomia e amplia a vulnerabilidade.”

Para Janaína, o enfrentamento da violência exige ações coletivas. “Não basta responsabilizar individualmente as mulheres ou confiar apenas nas leis. É preciso fortalecer espaços de acolhimento e organização”, disse, elogiando a iniciativa do sindicato de promover debate entre as mulheres. “São espaços absolutamente revolucionários”, enfatizou.

A palestrante também destacou a necessidade de envolver os homens nesse processo. “Não existe enfrentamento consistente da violência de gênero sem questionar os padrões de masculinidade que naturalizam a dominação e a agressividade.”

Desafios nos espaços de poder

A presidente do Sisejufe, Lucena Pacheco Martins, também compartilhou sua experiência e ressaltou as dificuldades enfrentadas pelas mulheres em espaços de poder .

“É um espaço eminentemente masculino, onde a violência muitas vezes não é física, mas psicológica. É o questionamento constante da nossa competência, a deslegitimação do nosso papel”, afirmou.

Lucena também destacou a importância da rede de apoio. “Quando estamos juntas, nos fortalecemos. É fundamental acolher, escutar e respeitar os diferentes feminismos para garantir a permanência das mulheres nesses espaços.”

Após as exposições, foi aberto espaço para que as participantes também pudessem se manifestar, ampliando o debate e promovendo a troca de experiências sobre os desafios enfrentados no cotidiano.

Delegação eleita para o encontro nacional

Na etapa final, foram eleitas as representantes do Sisejufe para o Encontro Nacional de Mulheres da Fenajufe.

Participarão presencialmente a secretária de Mulheres, Anny Figueiredo, e a diretora Renata Oliveira. As diretoras Fernanda Lauria, que é também coordenadora da Federação, Vera Pinheiro e Michelle Maranhão acompanharão a atividade de forma virtual. A presidente Lucena Pacheco Martins também integrará a programação como palestrante.

 

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