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Sindicato dos Servidores das Justiças Federais no estado do Rio de Janeiro - Telefone: (21) 2215-2443

Janeiro Branco, racismo e saúde mental: um debate necessário

O mês de janeiro é destinado a campanhas de estímulo à saúde mental, e existe, inclusive, uma Lei Federal promulgada em 2023, quase dez anos após a primeira ocorrência do “Janeiro Branco”.

Mas o Janeiro Branco é bem inclusivo — se é que me entendem. Explico. Antes, peço licença ao leitor para me apresentar, pois isso terá relevância ao final. Sou Patricia Fernanda e estou aqui representando o Departamento de Combate ao Racismo do Sisejufe. Estou acostumada a ser indagada se vejo racismo em todo lugar. Infelizmente, sim — e voltamos, então, à questão da saúde mental (não apenas a minha, ou talvez também).

Não vou tratar aqui do contexto histórico desde a diáspora da escravização, mas de dados atuais. A população negra — preta e parda, como ainda define o IBGE — está no topo das estatísticas de pessoas que mais padecem de doenças mentais ou psicológicas.

A Fundação Oswaldo Cruz calcula que pessoas negras têm 40% mais chances de desenvolver transtornos mentais comuns. Quarenta por cento. Isso se dá em razão do racismo estrutural e institucional. E, quando fazemos as intersecções, o cenário se agrava: jovens negros são os que mais morrem. Pensem nas mães, irmãs, tias. As mulheres negras são as que mais sofrem com desigualdades econômicas e violências de gênero. Penso também nos homens negros que andam pelas ruas apontados como objetos sexuais ou alvos de revistas “aleatórias” constantes. Perseguições em lojas? Todos os dias. Com todos nós.

Buscar apoio psicológico ou psiquiátrico já foi tabu, mas quando a dor é profunda, na alma, é necessário. Digo isso por experiência própria. Eu amo trabalhar e, como trabalhadora, afirmo: é preciso ter qualidade no trabalho com saúde. Para isso, é essencial valorizar a saúde mental e psicossocial.

Compartilhar dores e alegrias em grupo também é terapêutico. O Departamento indica o Coletivo Negro da Justiça, um grupo de servidoras e servidores de todos os tribunais federais e do TJ/RJ, que acolhe integrantes durante todo o ano. Para mais informações, é possível buscar o Instagram @coletivonegrodajustiça.

O Departamento de Combate ao Racismo recebe críticas, sugestões e quer saber de cada servidor e servidora como podemos caminhar juntos na busca por diversidade e inclusão em cada tribunal. Procure-nos por meio do e-mail combateaoracismo@sisejufe.org.br.

Aproveitamos para desejar um feliz 2026 a todos e todas.

*Patrícia Fernanda dos Santos, Coordenadora do Departamento de Combate ao Racismo*

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