O Conselho de Representantes do Sisejufe realizou, na noite de 25 de fevereiro, a primeira reunião ordinária do ano, em formato virtual. O encontro foi conduzido pela presidente do sindicato, Lucena Pacheco Martins.
A conversa contou com a participação da advogada e presidente do Sindicato dos Bancários do Pará, Tatiana Oliveira, que debateu os desafios para a classe trabalhadora em 2026; da coordenadora-geral da Fenajufe, Soraia Marca, e da assessora política Vera Miranda, que abordaram a reestruturação da carreira e política salarial; além do assessor parlamentar e institucional Alexandre Marques, que apresentou um mapeamento das resoluções do CNJ e seus impactos para os servidores.
Conjuntura, eleições e organização da categoria
Ao abrir os trabalhos, Lucena Pacheco Martins fez um balanço das conquistas recentes da categoria, como a recomposição salarial de 2026 e a reformulação do Adicional de Qualificação (AQ), ressaltando que os avanços são fruto de luta e mobilização. A presidente alertou, contudo, para os desafios colocados em 2026, especialmente por se tratar de um ano eleitoral.
Lucena destacou a necessidade de informação e organização para enfrentar pautas que afetam diretamente o serviço público, como a reforma administrativa, além do desafio de derrubar o veto 45, a fim de garantir as parcelas de 2027 e 2028 do reajuste salarial, e dar continuidade à reestruturação da carreira. Segundo ela, o cenário exige atenção redobrada e atuação estratégica, já que as decisões políticas têm impacto direto sobre direitos e condições de trabalho.
Solidariedade de classe e o peso do Congresso Nacional
Em sua participação, Tatiana Oliveira enfatizou que o ano eleitoral será decisivo para os rumos do país nos próximos quatro anos e chamou atenção para a falta de unidade entre as categorias do serviço público. Para a dirigente, é fundamental superar a lógica de que apenas as pautas individuais importam e fortalecer a solidariedade de classe.
A convidada alertou para os riscos de subestimar adversários no processo eleitoral, como ocorreu com Bolsonaro em 2018, e lembrou governos passados (FHC, Temer e Bolsonaro) que deixaram marcas estruturais duradouras, como reformas trabalhistas e previdenciárias, além de limitações impostas ao serviço público. Nesse contexto, destacou a centralidade do Congresso Nacional, defendendo que a luta sindical também passa pelo apoio e fortalecimento de candidaturas comprometidas com a pauta dos trabalhadores. Para ela, investir energia política nesse processo é essencial para ampliar a representatividade e a capacidade de incidência do movimento sindical.
Fórum de Carreiras, veto 45 e articulação em Brasília
A coordenadora-geral da Fenajufe, Soraia Marca, fez uma defesa do Fórum de Carreiras, rebatendo críticas e ressaltando que o espaço foi decisivo para avanços como o projeto do Adicional de Qualificação. Ela relatou detalhes das mobilizações realizadas no início do ano, incluindo atos em Brasília em defesa da derrubada do veto 45 e da reestruturação da carreira.
Soraia informou que, após articulações e reuniões, houve sinalização de que a reestruturação deve ser apresentada no primeiro semestre e que há trabalho conjunto para viabilizar a derrubada do veto. Segundo ela, a federação acompanha de perto a conjuntura política do Congresso para avaliar o momento mais favorável à votação, inclusive considerando, se necessário, postergar a apreciação do veto para o período pós-eleitoral. Durante a reunião, a dirigente também destacou que estava naquele momento em Brasília e que durante o dia percorreu gabinetes para dialogar com parlamentares, a fim de avançar nesse processo.
Reestruturação, política salarial e saúde no trabalho
A assessora política do Sisejufe, Vera Miranda, apresentou uma análise mais técnica sobre os desafios do Fórum de Carreiras. Ela explicou que as primeiras reuniões do ano têm como foco avançar em temas já consolidados e que não geram impacto imediato, como atribuições e atualização de portarias, além da estrutura e da política salarial.
Vera ressaltou a importância de acompanhar de perto a implementação do AQ nos regionais e apontou como central o debate que deve emergir do grupo voltado à saúde e qualidade de vida no trabalho. Questões como sobrecarga, metas abusivas, adoecimento mental, jornada e carga de trabalho foram destacadas como temas que impactam diretamente a produtividade e as condições de trabalho dos servidores, exigindo preparação e acúmulo para o enfrentamento junto às administrações.
Democratização do Judiciário e participação institucional
Encerrando as exposições, o assessor institucional e parlamentar Alexandre Marques abordou a necessidade de democratização do Poder Judiciário como condição para o fortalecimento da própria democracia brasileira. Ele criticou o modelo verticalizado ainda predominante, no qual decisões administrativas, orçamentárias e de gestão são tomadas sem participação efetiva de quem executa as políticas públicas.
Alexandre apontou o corporativismo da magistratura como um entrave estrutural, destacando o desequilíbrio existente nos espaços de poder, como o CNJ e outros conselhos, onde há representação institucional permanente da magistratura, mas não das servidoras e servidores. Para ele, a democracia institucional exige participação vinculante das entidades sindicais em todo o ciclo das políticas, especialmente na definição e no acompanhamento do orçamento, que determina prioridades como concursos, valorização da carreira e condições de trabalho.
Segundo o assessor, garantir assento institucional permanente às entidades representativas nesses espaços não é concessão, mas um princípio republicano. Trata-se, afirmou, de construir um Judiciário mais transparente, plural e conectado com quem o faz funcionar cotidianamente.
Ao longo da reunião, entre as falas dos convidados, os participantes puderam esclarecer dúvidas, fazer intervenções e aprofundar o debate, contribuindo para uma discussão articulada sobre conjuntura política, carreira, condições de trabalho e os rumos da luta sindical em 2026.