Mais um ano dessa importante parceria que acompanha o Sisejufe desde 2019! Há 20 anos, a primeira e única escola de samba do mundo voltada para pessoas com deficiência, a Embaixadores da Alegria, desfila na Marquês de Sapucaí, levando para a Avenida um carnaval verdadeiramente democrático e inclusivo. Há alguns carnavais, a Embaixadores traz mais cores e alegria ao sábado das Campeãs, abrindo essa clássica noite de comemorações. Em mais um desfile que exalou diversidade e inclusão, neste sábado (21/2), o Sisejufe esteve junto, cantando, tocando e levantando os foliões!
Nem mesmo a chuva torrencial que caiu na zona central do Rio, nas horas que antecederam o desfile, fez a galera da Embaixadores da Alegria desanimar. Por volta das 19h30, a escola entrou na sagrada Avenida do samba para um show diverso, inclusivo e cheio de significado. Com um samba que ecoa “chega de desigualdade”, composto por Pretinho da Serrinha e Fred Camacho, a Embaixadores brilhou na Sapucaí. Para o Sisejufe, esse é mais um ano especial nessa parceria que se realiza há 7 anos.
Entre os mais de 1.500 integrantes da escola, pessoas sem e com deficiência deram um show de alegria e amor ao carnaval. Integrantes da comissão de frente da escola fizeram acrobacias com cadeiras de rodas. A rainha de bateria, Fernanda Honorato, que tem Síndrome de Down, foi aplaudida pelo público ao mostrar samba no pé e se dirigir às pessoas das arquibancadas.
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Confira um trecho do desfile da Embaixadores da Alegria (Reprodução/Instagram/@sisejufe)
Relatos de quem fez o samba acontecer na Sapucaí
Compondo a potente bateria da Fina Batucada, comandada por Mestre Riko – e majoritariamente feminina – estão servidoras e servidores e sindicalizados do Sisejufe, que completam mais um ciclo com o desfile na Sapucaí, após um ano intenso de ensaios no curso de percussão Batuque na Justiça, na Escola de Músicas Villa Lobos. Para Rosana Wrigg, servidora do TRF2, que estreou esse ano na Avenida tocando chocalho, participar da Fina e o Batuque tem sido “uma experiência incrível”. A servidora pontua que adorou participar dos eventos pré sambódromo, como o Grito de Carnaval, o evento institucional do TRT 1 e, claro, o bloco Batuque na Justiça, mas que também estavam ansiosos para o grande momento de desfilar na Sapucaí.
Rosana pontua que o incentivo à cultura que o Sisejufe promove é uma maneira de desenvolver novas habilidades e socializar fora da tensão do trabalho. “Eu acho incrível, essa parte de desenvolver um novo aprendizado, que foi o meu caso. Nunca tinha tocado nada, tido contato com a música. Eu acho muito bom pra aliviar o estresse, pra desenvolver mais você mesmo, pra socializar também. Eu vejo a Lucena chegando nos ensaios, e penso, ‘caramba, presidente do sindicato, né?’ O que é sair daquela rotina do estresse e agora vir pra cá pra tocar um instrumento, pra tocar com um grupo que só tá pensando nisso. Totalmente adverso do nosso mundo do trabalho. Eu achei isso muito incrível também”, diz ela.
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Rosana Wrigg, servidora do TRF2, e seu companheiro Rogério Rougemont no desfile (Reprodução/Instagram/@sisejufe)
Seu companheiro, Rogério Rougemont, a acompanha nas atividades e também marcou sua estreia na Avenida: “Desfilar na Sapucaí é o que todo mundo quer, né? E é realmente um sonho que está sendo realizado. Na Cuíca, que é um instrumento que eu gosto muito, e num local desse, é muito bacana. E tem sido muito bacana os ensaios, os blocos que nós acompanhamos”, começa ele, que conta já ter participado de um desfile de escola de samba na Intendente Magalhães, mas não na bateria. E completa: “Vai ser muito emocionante”.
Mas, o frio na barriga e as expectativas altas não ficam apenas com os novatos! Vladmir Carvalho, servidor do TRE de Belford Roxo, já toca há 3 anos na bateria, mas confessa que ainda sente como se fosse a primeira vez, com o coração batendo mais forte. Mas, na hora do show, a ansiedade dá lugar à alegria de tocar em plena Sapucaí. Vladmir conta que, aos sábados, tem sempre um encontro marcado marcado com o curso de percussão: “Sábado à tarde é o dia de ensaio com o mestre Riko. Já não me vejo sem ter esse compromisso aos sábados. Não programo mais nada. Sábado à tarde é para isso.”. Ele conta que agregou os aprendizados dos anos de bateria para a vida: “Agora a gente acha que é especialista, né? Você está num bloco, assim, você fica prestando atenção nos sinais que o mestre vai fazer, nas viradas que a bateria vai fazer. Você presta atenção em quem está tocando, se está enrolando, se está tocando de verdade. A gente começa a ficar meio especialista”, pontua o servidor.
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Vladmir Carvalho, servidor do TRE de Belford Roxo no desfile (Reprodução/Instagram/@sisejufe)
O carnaval também é uma época de resgatar memórias afetivas e familiares. O pai de José Mauro da Silva, servidor do TRE-RJ, se chamava Juca do Pandeiro, e era da bateria da Portela. O seu Juca queria que ele priorizasse os estudos. Nosso amigo fez isso, tanto que se tornou servidor da JE. Só que o coração bateu forte e José Mauro não conseguiu ficar longe da vocação que estava no sangue da família. No curso de percussão do Sisejufe, José Mauro confirmou sua paixão e agora não pretende seguir outro caminho. E quem ganha somos nós, que temos a oportunidade de conhecer o talento do nosso sindicalizado!!! Ele fez questão de deixar uma mensagem antes de participar do desfile da Embaixadores da Alegria, neste sábado (21/2).
“Foi uma experiência incrível. Eu sempre tive vontade de tocar em uma bateria, mas só me animei quando recebi o convite do sindicato para participar das aulas de percussão. É tudo maravilhoso… Mestre Riko, todo pessoal… já fiz muitas amizades aqui e pretendo ficar um bom tempo… aprender todos os instrumentos. Estou muito feliz de estar aqui. Nunca pensei em fazer parte de uma bateria e tocar em plena Sapucaí”, celebrou José Mauro.
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O servidor do TRE-RJ, José Mauro da Silva no desfile (Reprodução/Instagram/@sisejufe)
A Embaixadores da Alegria
A Embaixadores da Alegria é uma associação sem fins lucrativos, fundada em 2006 por Paul Davies (britânico) e Caio Leitão (carioca). A proposta é utilizar a cultura, o samba, a arte e educação como instrumentos de inclusão social para pessoas com e sem deficiência.
Ao longo da sua trajetória, a Embaixadores da Alegria já beneficiou mais de 16 mil pessoas com seus desfiles acessíveis, oficinas de carnaval, palestras, teatro e shows.
Os componentes são foliões com e sem deficiência, pertencentes a instituições ligadas à causa. A associação dialoga com mais de 80 instituições, grupos e projetos no Brasil e no exterior.
O carnaval do Rio de Janeiro vem sendo transformado no mais acessível do Brasil com a Embaixadores da Alegria. Foram desenvolvidas logísticas, planejamentos de embarque e desembarque no sambódromo para os foliões juntamente com os órgãos públicos municipais e a Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Grupo Especial). Além disso, ações dentro do desfile foram criadas exclusivamente para atender às necessidades e características de cada deficiência. Há um time de harmonia especial composta de fisioterapeutas, professores de educação física, psicólogos, que cuida da acessibilidade e inclusão emocional. E também um time de harmonia de carnaval, composto por profissionais experientes do mundo do samba, cuidando da evolução e da qualidade do espetáculo. Para as pessoas com deficiência auditiva, há ainda uma equipe de intérprete de Libras que traduz o samba ao vivo na Sapucaí.