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Sindicato dos Servidores das Justiças Federais no estado do Rio de Janeiro - Telefone: (21) 2215-2443

“As portas do inferno estão abertas”: alerta sobre atuação da extrema direita expressa preocupação que dominou as falas na assembleia preparatória ao CONSISEJUFE

Assembleia para eleição de delegados ao 1º Congresso do Sisejufe foi realizada nesta quarta-feira (14/10), por meio remoto

O Sisejufe realizou, na noite desta quarta-feira (14/10), pela plataforma Zoom, a Assembleia Geral para eleição de delegadas e delegados de base ao 1º Congresso Estadual dos Servidores das Justiças Federais no Estado do Rio de Janeiro (CONSISEJUFE). Além da escolha da representação da categoria, a atual conjuntura política do país dominou os debates, marcados pela preocupação com os rumos das eleições presidenciais e seus possíveis impactos sobre o serviço público, o Judiciário e os direitos dos trabalhadores.

O congresso será realizado nos dias 13 e 14 de novembro, em formato híbrido, com participação presencial na sede do sindicato. A pauta inclui a análise da conjuntura política, econômica e social e seus impactos sobre a categoria; a reestruturação da carreira, com foco na derrubada do Veto Parcial nº 45/2025; e o Projeto de Lei nº 1.893/2026, que trata da negociação coletiva no serviço público.

Deliberações

A assembleia elegeu Aldenir Acimen como delegado de base ao 1º CONSISEJUFE, por aclamação. Os demais delegados natos são os diretores e as diretoras do sindicato e os representantes e as representantes de base, conforme as regras estatutárias do sindicato.

Também foi aprovada a prorrogação, até esta sexta-feira, 16 de outubro, do prazo para inscrição de teses a serem debatidas no congresso. As propostas podem ser inscritas pelo endereço sisejufe.org.br/tesescongresso.

Como foi a assembleia

Na abertura, a presidente do Sisejufe, Lucena Pacheco Martins, destacou a importância da unidade sindical diante dos desafios nacionais. “O CONSISEJUFE vem com esse condão de trazer a possibilidade de que a gente construa a luta da classe trabalhadora em unidade, com a melhoria da nossa carreira, desse espaço sindical que é o espaço de defesa dos trabalhadores e trabalhadoras”, afirmou.

Também compuseram a mesa da assembleia os coordenadores-gerais da Fenajufe Soraia Marca e Edson Mouta, além do vice-presidente do Sisejufe, Ricardo Quiroga. As intervenções ressaltaram a importância da participação da categoria nas eleições e da defesa do serviço público diante dos projetos políticos em disputa.

O que está em jogo

Soraia Marca chamou a atenção para a necessidade de preservar direitos e avaliar os possíveis desdobramentos do cenário eleitoral sobre as pautas dos servidores. “Esse congresso é muito importante, e esse é o primeiro congresso do Sisejufe. A gente precisa recolocar o caminho nos eixos dos trilhos nesse período”, afirmou. A dirigente também destacou que o resultado das eleições poderá influenciar os temas e as estratégias de mobilização a serem discutidos no encontro.

Edson Mouta alertou para os riscos de um eventual governo de Flávio Bolsonaro, considerando a composição do Congresso Nacional e os projetos defendidos pela extrema direita. Para ele, o que está em disputa vai além das preferências individuais por candidatos.

“O que está em jogo não é se você gosta deste ou daquele candidato. Qual é o projeto de sociedade? Qual é a concepção de Estado? Qual é a visão de servidor público?”, questionou. O coordenador-geral da Fenajufe ressaltou que o movimento sindical será diretamente impactado pelo resultado eleitoral e defendeu a participação de servidores da ativa e aposentados no processo.

Ricardo Quiroga também destacou a gravidade do momento político e considerou significativa a manifestação de diferentes setores do movimento sindical do Judiciário Federal em defesa da unidade. “Acima das nossas divergências está a luta pela defesa do serviço público e da soberania do nosso país”, afirmou.

Congresso definirá prioridades e plano de lutas

Ao explicar a finalidade do CONSISEJUFE, Lucena ressaltou que o congresso é uma instância estatutária de deliberação da categoria e deverá ampliar a discussão iniciada no Conselho de Representantes e aprofundada no planejamento estratégico da diretoria colegiada.

A presidenta destacou que o encontro será uma oportunidade para avaliar o cenário político e definir as possibilidades de organização, negociação e mobilização. O objetivo é construir um plano de lutas que contemple as necessidades dos servidores e servidoras do Rio de Janeiro, incluindo ativos, aposentados e pensionistas.

Sobre a reestruturação da carreira, Lucena apontou a derrubada do Veto Parcial nº 45/2025 como uma das prioridades e mencionou a expectativa de encaminhamento de proposta de plano de carreira pelo Supremo Tribunal Federal ao Legislativo. A mobilização em torno da valorização profissional será um dos temas do CONSISEJUFE.

Outro ponto previsto é o PL nº 1.893/2026, relacionado à regulamentação da negociação coletiva no serviço público. A discussão busca fortalecer as garantias de diálogo entre a administração pública e as entidades representativas dos trabalhadores e trabalhadoras.

Ameaças ao Judiciário e à carreira

No espaço aberto às manifestações, o diretor do Sisejufe João Victor Albuquerque alertou para os ataques institucionais que, segundo ele, ameaçam a Justiça do Trabalho, a Justiça Eleitoral e o conjunto do Judiciário da União. O dirigente citou declarações sobre a possibilidade de extinção da Justiça do Trabalho e ressaltou: “Enquanto sindicato, temos o dever institucional de conscientizar a categoria”, afirmou. João Victor explicou que o Sisejufe prepara materiais para apresentar os riscos associados aos projetos políticos em disputa e seus possíveis efeitos sobre o Judiciário e o serviço público.

O representante de base Felipe Gradin foi enfático ao afirmar: “As portas do inferno estão abertas”. Ele avaliou que o cenário exige atenção redobrada e que a categoria precisa considerar os impactos das eleições sobre a própria existência das instituições. Ele também chamou a atenção para as ameaças à Justiça do Trabalho e defendeu que o congresso leve em conta os diferentes cenários políticos na definição das prioridades de luta.

A diretora Vera Pinheiro destacou o avanço da extrema direita no mundo e seus impactos no Brasil. A dirigente apontou como fundamental a mobilização popular, inclusive por meio da militância digital. Ela relatou a participação de aposentados, pensionistas, pessoas com deficiência e outros grupos em iniciativas de mobilização política e defendeu a união diante dos desafios.

Para Vera, mesmo quem não consegue participar presencialmente das manifestações pode contribuir para a mobilização. A dirigente também chamou a atenção para a existência de divergências políticas dentro da própria categoria e reforçou a necessidade de atuação conjunta.

Novas gerações no movimento sindical

Aldenir Acimen defendeu que o encontro também discuta o futuro do movimento sindical e a participação das novas gerações. Para ele, é necessário aproximar servidores mais jovens da organização coletiva e refletir sobre o sindicato que a categoria deseja construir para os próximos anos.

“Qual é o sindicato que nós queremos?”, questionou. O servidor ressaltou que a renovação da base torna fundamental criar formas de ampliar a participação dos novos colegas, sem deixar de lado a defesa dos direitos e o enfrentamento aos ataques ao Judiciário.

Edson Mouta voltou a defender a articulação com outros setores da sociedade. Segundo ele, a conjuntura reforça a necessidade de unificar a luta dos servidores públicos com a dos demais trabalhadores. O coordenador-geral da Fenajufe avaliou que o CONSISEJUFE poderá aprofundar a discussão sobre estratégias conjuntas de mobilização.

Correlação de forças políticas

O diretor Valter Nogueira Alves avaliou que o resultado das eleições presidenciais terá impacto direto sobre a correlação de forças políticas no país e as possibilidades de avanço nas pautas dos trabalhadores. Ele destacou que, mesmo diante de um Congresso Nacional conservador, a mobilização popular pode pressionar por medidas favoráveis à classe trabalhadora, citando como exemplo a discussão sobre o fim da escala 6×1.

Para Valter, a eventual reeleição de Lula poderá abrir espaço para um governo mais popular, com avanços sociais, impulsionado pelas mobilizações que vêm ganhando força nas ruas. O diretor ressaltou a participação de jovens e estudantes e avaliou que a organização dessas manifestações, com capilaridade e articulação, representa um fator importante para a disputa política.

O dirigente também alertou para os riscos de uma vitória de Flávio Bolsonaro, considerando a possibilidade de fortalecimento da extrema direita nos três Poderes da República. Na avaliação dele, esse cenário poderia comprometer direitos e instituições por um período muito mais longo do que um mandato presidencial. Por isso, defendeu que o movimento sindical intensifique o diálogo com os trabalhadores, expondo as contradições das propostas apresentadas pelo candidato.

O diretor citou medidas defendidas pelo governo Lula voltadas à classe trabalhadora, além do fim da escala 6×1. Entre elas estão iniciativas relacionadas ao MEI. O dirigente argumentou que esses avanços precisam ser apresentados à população no debate eleitoral. Também destacou a importância de dialogar com eleitores que ainda podem mudar de posição e mobilizar quem não participou do primeiro turno.

Para Valter, a disputa exige esforço coletivo e uma atuação capaz de mostrar os efeitos concretos de cada projeto político sobre a vida dos trabalhadores. Ele defendeu que a categoria mantenha a mobilização para ampliar o apoio a Lula e evitar retrocessos nos direitos sociais e no serviço público.

Já o diretor Ricardo Soares enfatizou que o resultado eleitoral poderá ter efeitos duradouros sobre os direitos sociais e o funcionamento das instituições. Para ele, a mobilização sindical deve contribuir para que a categoria compreenda o alcance das propostas em debate e seus possíveis impactos sobre os trabalhadores.

O servidor e ex-diretor do sindicato Amauri Pinheiro defendeu que, diante da proximidade do segundo turno, a prioridade imediata seja a mobilização eleitoral. Na avaliação dele, uma nova assembleia, após a definição do resultado, poderá discutir os próximos passos da atuação sindical com base no cenário efetivamente estabelecido.

Responsabilidade da categoria

Ao encerrar a assembleia, Lucena agradeceu as contribuições e reforçou a importância da mobilização no período que antecede o segundo turno das eleições presidenciais. “Os debates apresentados demonstram a responsabilidade da categoria diante do cenário político e da defesa dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras. A gente tem uma missão até o dia 25, que é a virada de votos”, conclamou a presidente do Sisejufe.

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