Alto contraste Modo escuro A+ Aumentar fonte Aa Fonte original A- Diminuir fonte Linha guia Redefinir
Sindicato dos Servidores das Justiças Federais no estado do Rio de Janeiro - Telefone: (21) 2215-2443

Conselho de Representantes discute conjuntura política, desmonte do Estado e ataques ao funcionalismo público

“Se a gente não se mover, o trator vai passar”. A frase foi dita pelo jornalista Ernesto Germano Parés, na reunião do Conselho de Representantes do Sisejufe, na noite de terça-feira (5/11). Convidado a palestrar para os sindicalistas, ele alertou para o desmonte do Estado promovido pelo Governo Bolsonaro.

“O que se vê é o total desmonte do modelo de bem-estar social, prevalecendo a ideia de que não tem que ter nada na mão do Estado. Essa é a realidade que já estamos vivendo: a terceirização dos serviços. O funcionalismo é o primeiro ataque, começando pelo setor financeiro (Receita e bancos públicos). E o projeto deles não passa só por PEC (Proposta de Emenda Constitucional). A estabilidade do funcionalismo não está na Constituição e pode ser derrubada por Decreto de Lei, sem PEC. A correção de salário também não está na Constituição. Só vai por PEC aquilo que não tem como ser de outra forma. Todo o resto eles vão tratar por Decreto, Medida Provisória e Projeto de Lei”, apontou o especialista.

Germano avaliou a conjuntura nacional e internacional, fazendo uma análise histórica da influência do liberalismo e neoliberalismo no mundo e os momentos de retrocesso que os dois modelos provocaram em diversos países. Ele lembrou, por exemplo, que o liberalismo desencadeou as duas guerras mundiais. Depois veio o  Keynesianismo, defendendo que o Estado tem que intervir na economia e na política, promovendo o bem-estar social (funcionalismo público, saúde e serviços públicos). Na década de 80, Germano lembra que ganha força o neoliberalismo, personificado nas lideranças de Ronald Reagan (EUA), Margareth Thatcher (Reino Unido) e Helmut Kohl (Alemanha), com a defesa intransigente do Estado mínimo.

Cenário de Polarização

Ao trazer a análise para os dias atuais, o especialista opina que Donald Trump tenta ser um novo Reagan, no entanto, sem as habilidades políticas que o ex-presidente tinha. O assessor sindical avalia que o neoliberalismo sofre uma crise. “A Europa está dividida, uma parte está indo para centro-esquerda e a outra parte para a extrema direita”, afirma.

Germano falou ainda da polarização de hoje, pautada por questões comerciais que colocam de um lado os Estados Unidos – grande império tentando sobreviver – e do outro China e Rússia. Outro tema que chamou atenção é a crise internacional provocada pelo petróleo.

Alerta ambiental

Ele afirmou que o mundo está passando também por uma crise ambiental e que o sindicalismo precisa acordar para isso. “Não estamos discutindo salários, mas o futuro do planeta. Em que mundo nossos filhos e netos vão viver?, indagou.

O assessor sindical relatou o histórico de luta da América Latina, que passou por mudanças radicais a partir do final da década de 1990, com Hugo Chávez (Venezuela), Lula (Brasil), Daniel Ortega (Nicarágua), Evo Molares (Bolívia) e Fernando Lugo (Paraguai). “Quando a América Latina começa a romper com o neoliberalismo, a Casa Branca ficou apavorada”, destacou, acrescentando que os norte-americanos tentaram, sem sucesso, vários golpes para interromper esse movimento na América Latina, como na Nicarágua e na Venezuela (já com o sucessor de Chávez, Nicolas Maduro).

Brasil parado

Germano afirmou que a América Latina está reagindo, diferentemente do Brasil. O povo está nas ruas no Chile, no Haiti – apesar de a mídia não estar noticiando – e outros países. “A América Latina se move e o Brasil está parado”, lamentou, ressaltando que é preciso sair da apatia para lutar contra todos os ataques.  

Últimas Notícias