SINDICATO DOS SERVIDORES DAS JUSTIÇAS FEDERAIS NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
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Oficiais de Justiça sofrem com a violência no cumprimento da função

Ato conjunto foi realizado em frente ao Fórum Central

IMG_5582Sequestros, armas na cabeça, ameaças de morte: situações como essa têm entrado para o cotidiano dos oficiais de justiça no Rio de Janeiro. Nessa terça-feira (10/10), os profissionais das esferas federal e estadual foram para a rua denunciar que não se tratam de casos isolados. O ato reuniu mais de 200 pessoas em frente ao Fórum Central no início da tarde.

Para a oficial de justiça federal Mariana Liria, diretora do Sisejufe, o direito à vida está sendo negado ao segmento. “Não somos profissionais de segurança pública, não temos treinamento, nem equipamentos. Suas excelências têm que entender que a nossa vida vale mais”, afirmou.

Ela ressaltou que o Sisejufe orienta que os servidores não entrem em área de risco. Nos casos em que houver pressão do magistrado, o sindicato deve ser comunicado imediatamente para que o Núcleo de Oficiais de Justiça (Nojaf) e o Departamento Jurídico da entidade tomem as devidas providências. “Hoje o oficial entra com a polícia, mas amanhã entra sozinho; marcado pelas lideranças do tráfico de drogas”, enfatizou Mariana.

O Sisejufe tem sido incansável nessa luta, denunciando sistematicamente os riscos que os colegas sofrem nas ruas e cobrando medidas. Em novembro de 2014, foi encaminhado a direção do Foro um requerimento de normatização de cumprimento de mandado em área de risco. Os oficiais continuam sem um protocolo para atuação em áreas conflagradas. “Só agora a Administração está sinalizando no sentido de uma resolução. Será que eles estão esperando o próximo morrer?”, provocou Mariana.

IMG_5571Segundo o diretor do Sindjustiça Luiz Otávio da Silveira, o Rio de Janeiro é o estado mais perigoso para os oficiais de justiça. Sua colega de sindicato, Maria Paula Gusman, denunciou o adoecimento psíquico do segmento em função do medo e do sofrimento que essa situação causa aos familiares “enquanto os magistrados e promotores estão no ar-condicionado”.

“De nada adianta um ato público em que pontuamos tão somente nossas reclamações e sofrimentos. É preciso que apresentemos soluções para o nosso problema. É preciso que os oficiais se utilizem das ferramentas de proteção”, destacou o representante da Associação dos Oficias de Justiça Rui Martins. Ele ressaltou a importância da aprovação dos projetos que tramitam no Congresso Nacional em favor do segmento.

Depoimentos emocionam colegas

IMG_20171010_152007096Em seguida aos discursos de representantes de entidades organizadoras, servidores deram seus depoimentos sobre situações difíceis e traumáticas que vêm enfrentando. O oficial de justiça do estado Francisco Fasano criticou os magistrados. Ele acredita que a pressão que eles têm feito sobre os servidores contribui, inclusive, para os casos de suicídio registrados na categoria. Por outro lado, a solução encontrada para situações de risco, o acompanhamento da polícia, seria equivocada. “É a mesma polícia que joga bomba na gente, impedindo nosso direito de lutar.”

“Governo e Administração são como feijão duro: só funcionam na pressão”, bradou a oficial de justiça federal IMG_20171010_155352414Carmen Diniz. Ela defendeu que os colegas não entrem em lugares conflagrados. “Como eu vou (voltar) sem a polícia depois? Vou virar alvo”, contestou.

Sequestrada em junho durante o exercício da função na Ilha do Governador, a oficial de justiça Rosilene Bonfim deu um depoimento que emocionou os colegas. “Fui libertada só à noite, no Complexo da Maré. Ainda não estou recuperada do trauma”, contou.

Nojaf aponta para articulações conjuntas

IMG_20171010_145645324_HDROs dirigentes que compõe o Nojaf avaliam que as bandeiras de luta e os problemas dos oficiais de justiça, tanto da estadual, da federal como da trabalhista são os mesmos, embora as reivindicações sejam dirigidas a administrações diferentes. O núcleo acredita no trabalho conjunto e coletivo, a partir das convergências.

Também participaram do ato os diretores do Sisejufe Amaro Faustino e Maria Cristina Mendes, da Justiça do Trabalho, e o representante da base Marcio Cotta.

 

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