SINDICATO DOS SERVIDORES DAS JUSTIÇAS FEDERAIS NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
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Depois de Marcha da CUT em Brasília, Dilma receberá Ayres Britto para negociação do PL 6.613

A pressão da Central Única dos Trabalhadores (CUT) deu resultado, era fundamental a intervenção da central para que o governo reabrisse negociações com os servidores. Todos os diretores de sindicatos e da Fenajufe CUTistas intervieram nos grupos de trabalho para que nosso PCS e o aumento dos servidores fossem prioridade da CUT logo após o Congresso. Aprovamos uma resolução geral para o aumento dos servidores e uma específica, sobre o nosso PL 6.613, já que estamos há 4 anos sem receber nenhuma parcela de projeto e há 6 anos sem reposição da inflação. Aprovamos as resoluções no Congresso da CUT e o presidente eleito, Vágner Freitas, prometeu que seu primeiro ato na Presidência da CUT seria um grande ato capitaneado pela central em Brasília exigindo a abertura de negociação com os servidores, que esta seria a prioridade primeira da CUT, a primeira luta a ser desenvolvida.

O presidente eleito cumpriu a promessa de campanha, e nesta semana a CUT colocou 20 mil trabalhadores em Brasília, das várias entidades CUTistas, fazendo uma grande marcha, enfrentando a polícia, ocupando o Ministério do Planejamento e exigindo o reajuste. O discurso do presidente da CUT foi bem claro: “Não aceitamos que os trabalhadores paguem a crise, esta crise não foi gerada pelos trabalhadores, mas pelos rentistas, pelos banqueiros, os trabalhadores não pagarão pela crise”.

A postura dura da CUT, exigindo reunião com a Presidência da República e reunindo-se com os ministros Gilberto de Carvalho e Aluísio Mercadante, exigindo reunião com a ministra Miriam Belchior e conseguindo por meio dos trabalhadores acampados no MPOG e dizendo que não aceitaria aumento zero foi decisiva. A CUT também pediu reunião com o ministro Ayres Britto, presidente do STF,  com a pauta do nosso aumento, pedindo intervenção imediata do ministro para finalizar o projeto e foi dura na posição de que não aceitaria a negativa da Presidência da República.

Sempre defendemos que a única forma, neste momento de crise, para reabrir a negociação era a intervenção da Central Única dos Trabalhadores. A central que reúne 37% de toda a força de trabalho do Brasil, maior, sozinha, que todas as demais centrais juntas, que reúne mais de 40 milhões de trabalhadores em seus sindicatos de base, é um instrumento de luta indispensável à classe trabalhadora. A posição da CUT exigindo a reabertura de negociação, não aceitando o aumento 0%, dizendo que os trabalhadores não vão pagar a crise foi fundamental para derrubar a intransigência do Governo. Os extremistas que querem acabar com a Central, retirando nosso sindicato e o isolando no gueto, neste momento, não teriam a quem recorrer para forçar a negociação. Se a negociação reabriu a grande responsável por esta reabertura foi a central, com sua atitude de autonomia e combatividade que colocou o governo na parede e os sindicatos filiados a ela, que compreendem que uma Central forte, autônoma, democrática é organizada de baixo para cima, através dos seus sindicatos, utilizando a estrutura da central para nos unir e a força da central para exigir mesa de negociação com o governo. Vale lembrar que a Fenajufe e o Sisejufe são CUTistas, e assim devem permanecer.

O encontro dos presidentes, oficialmente agendado e confirmado para segunda-feira, dia 23 de julho às 17 horas, nada garante em termos de fechamento de acordo, mas num momento em que o Governo estava completamente intransigente e o PL6613 parecia irremediavelmente perdido, sinaliza para uma possível mudança de posição que pode sim, viabilizar um acordo e a vitória da categoria. Por isto o Sisejufe participou da atividade da maior Central do Brasil e da América Latina, quinta maior do mundo, porque sabemos que sem a coesão, a força da classe trabalhadora protagonizada na CUT, não teríamos como mudar este jogo, isolados, sozinhos, não haveria a reunião. Permanecermos atentos e vigilantes no nosso sindicato e com a nossa Central até a vitória final do PCS. É a força da CUT, somos CUT, somos fortes!

Segue declaração do Presidente da Central, sobre as negociações mostrando o esforça da CUT para nos ajudar na luta pelo PL 6.613, aliás, marchamos lado a lado com o Presidente da CUT, que estava na rua, junto conosco, enfrentando inclusive a polícia, para garantir nosso aumento.

No dia 19 de julho, ao ser perguntado se havia possibilidade dos servidores públicos federais fazerem uma greve geral, respondi que, em uma democracia, os conflitos se resolvem com diálogo, com negociação. Reforcei com as seguintes frases: “quanto mais negociação, melhor”, e “Nós não estamos colocando essa discussão [de paralisação geral], por ora. Se houver essa proposta, discutiremos com a sociedade”, conforme reproduziu corretamente o jornal Valor Econômico. Clique aqui para ler.

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/7/20/governo-descentraliza-negociacao-com-grevistas

No entanto, o jornal O Estado de São Paulo, distribuiu para todo o país por meio da Agência Estado, uma matéria com o seguinte título: “CUT não apoia greve, mas pressiona Dilma”. Clique aqui para ler.

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,cut-nao-apoia-greve-dos-servidores-federais-mas-pressiona-dilma-,902827,0.htm.

Para nós da CUT, a greve é um instrumento legítimo de luta e não temos receio de utilizá-lo sempre que se esgotam as possibilidades de acordo por meio da negociação. E os servidores públicos federais tiveram de recorrer à greve inúmeras vezes para conquistar melhores salários e qualidade de vida, inclusive durante o governo do presidente Lula, cujo projeto nós apoiamos, como todos sabem. É importante lembrar que todas essas mobilizações foram lideradas pela CUT, central que representa 90% dos servidores públicos federais do país.

Segundo levantamento feito pelo Sistema de Acompanhamento de Greves do DIEESE , entre 2003 e 2010, os servidores federais e os trabalhadores públicos da União realizaram 248 greves para pressionar o governo Lula a abrir negociações – as principais reivindicações foram reajustes salariais e reestruturação dos planos de cargos e carreiras. Já entre 1995 e 2002, durante o governo FHC que defendia o Estado mínimo, foram 133 greves.

Fiz essas considerações para que todos entendam que é preciso ler com cuidado as manchetes e os títulos dos jornais, especialmente em épocas de campanha eleitoral. Manchete e título é interpretação do editor responsável e, muitas vezes, quando lemos o conteúdo da matéria percebemos que o entrevistado não falou o que diz o título, como é o caso da matéria do Estadão. Basta ler a matéria do Valor para perceber a diferença de tratamento dado ao que foi dito.

Não só apoiamos a greve dos servidores como estamos fazendo uma série de audiência com ministros para cobrar a abertura de negociações, a apresentação de propostas. Só esta semana me reuni com a ministra Ideli Salvati (Relações Institucionais), os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria Geral) e Aloizio Mercadante (Educação) deixando clara a preocupação da CUT com a forma como o governo vem tratando os representantes dos trabalhadores no processo. Em todas as audiências deixei claro que é preciso apresentar propostas, não apenas para o pessoal da Educação, mas para todos os servidores. Disse também que não aceitaremos a desculpa da crise. Queremos manter o poder de compra dos salários.

Solicitei uma audiência para a próxima segunda-feira com o ministro Ayres Brito, presidente do Supremo Tribunal Federal, e meu pedido foi atendido. O objetivo é tratar da questão do pessoal da Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União – Fenajuf. A audiência, no entanto, talvez tenha que ser adiada por motivos de saúde – contrai uma conjuntivite, mas espero melhorar até segunda-feira.

 

Tudo isso mostra o comprometimento da CUT, a maior central do Brasil, com a luta dos servidores públicos federais e o nosso compromisso em abrir espaço para negociação, conseguir conquistas para os trabalhadores.

 

Estaremos atentos a todas as formas de distorção, de manipulação das entrevistas que objetivem tumultuar o processo, desgastar a CUT ou  influenciar nas eleições municipais de outubro. Nossa luta, no momento, é por melhores salários e condições de trabalho para os servidores públicos federais e nada mais.

 

Vagner Freitas, presidente Nacional da CUT

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